O que deve ocorrer com a economia dos países que sofreram com a tsunami?

Ajuda financeira externa deve minimizar os efeitos da destruição causada pelas ondas gigantes nos países asiáticos

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SÃO PAULO – Além da preocupação com as vítimas da tragédia e com a assistência aos desabrigados, uma outra preocupação já começa a ser levantada com relação às conseqüências das ondas gigantes que devastaram o sul da Ásia. O que deve ocorrer com a economia desses países?

Apesar dos impactos negativos diretos para a economia dos países afetados, em decorrência da destruição causada, há efeitos indiretos que podem fazer com que essas economias apresentem forte crescimento, devido aos esforços de reconstrução.

A demanda por materiais a serem utilizados na reparação dos danos causados pelas ondas, assim como a mão-de-obra a ser utilizada, pode estimular o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) dos países afetados.

Turismo e ajudas também devem influenciar

Por outro lado, existe o temor de que a destruição de parte da infra-estrutura voltada para o turismo possa prejudicar o desempenho do setor de turismo, cuja participação no PIB de alguns desses países é bastante alta, como é o caso da Tailândia (3,9% do PIB) e do Sri Lanka (4,6% do PIB). O medo causado pela tragédia também pode reduzir o fluxo de turistas estrangeiros para os países prejudicados.

Outro fator que deve exercer influência positiva é a ajuda que vem sendo enviada tanto por governos quanto por pessoas físicas. Além de ajudarem diretamente, os países que compõem o Clube de Paris ofereceram o congelamento da dívida dos países afetados pelo desastre natural, o que representará um grande volume financeiro em juros que não precisarão ser honrados.

Ajuda dos países é bastante grande

Para se ter uma idéia, somente o total em juros que não precisariam ser pagos em função do congelamento da dívida pelo Clube de Paris é de cerca de US$ 5 bilhões e deve beneficiar a Indonésia, o Sri Lanka e as ilhas Seychelles. A Tailândia, por sua vez, decidiu continuar honrando seus compromissos, mesmo sendo desobrigada de fazê-lo.

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Em ajudas diretas, o total de ajudas governamentais aos países já superou US$ 4 bilhões. A Austrália, pela proximidade dos países que tiveram as maiores perdas, lidera o ranking dos países que mais têm contribuído, com US$ 810 milhões. A Alemanha vem logo em seguida, tendo ajudado com cerca de US$ 660 milhões e o Japão com US$ 500 milhões. Os EUA contribuíram com US$ 324 milhões e o Banco mundial já doou cerca de US$ 250 milhões.

Dimensão da ajuda surpreende

A dimensão da ajuda comparada com o que normalmente é doado por esses países é surpreendente. O total de doações oficiais da Austrália em 2002, por exemplo, foi de US$ 989 milhões e em 2003 de US$ 1,219 bilhão, ou seja, o que a Austrália doou para as vítimas da Tsunami já se aproxima do que o país costuma doar durante um ano inteiro.

As doações da Alemanha, apesar de mais modestas tanto em termos absolutos quanto na comparação com os valores normalmente doados, respondem por cerca de 9% do que o país doou em 2003, que foi um total de US$ 6,784 bilhões.

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Efeitos econômicos devem ser minimizados

Assim, se considerarmos a ajuda que os países que sofreram os efeitos devastadores da Tsunami, o prejuízo econômico deve ser minimizado, dada a grande doação de recursos que vem sendo realizada e que pode favorecer os esforços de reconstrução.

Preocupa, entretanto, a situação de países como a Índia. Apesar de também ter sido atingido, o país vem recusando a ajuda internacional e o governo indiano liberou cerca de US$ 628 milhões para reconstrução das áreas mais atingidas.