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SÃO PAULO – Na esteira da reação bastante volátil dos mercados frente aos comentários do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, o Market Watch destacou alguns aspectos-chave de seus comentários no Congresso norte-americano para decifrar a mensagem que a autoridade monetária norte-americana quis passar.
1. Aperto monetário e diminuição do ritmo de compras são coisas distintas.
Nos primeiros comentários no Congresso na última quarta-feira (22), Bernanke advertiu o mercado frente ao aperto prematuro das políticas de flexibilização monetária do Fed. O mercado considerou que o Fed não estava considerando uma redução gradual do seu programa de compras de US$ 85 bilhões em títulos e se mostrou mais aliviado, fazendo com que os índices acionários engatassem fortes altas pelo mundo.
Contudo, isso não durou muito tempo, uma vez que Bernanke destacou – na sessão de perguntas e respostas – que o Fed pode diminuir o ritmo de compras de títulos nas próximas reuniões, se os dados vierem melhores. Com isso, os índices passaram a arrefecer.
Conforme apontam economistas, para Bernanke, estas duas medidas são distintas. Uma menor compra de ativos reduziria a intensidade da política de flexibilização enquanto um aperto se traduziria em um aumento da taxa de juros de curto prazo.
2. Não há perigo de uma diminuição do ritmo de compras em junho.
A ata do Fomc (Federal Open Market Committee) da última reunião, de 30 de abril e 1 de maio, revelou que alguns integrantes do Fed estavam dispostos a diminuir o ritmo de compras já em junho. E isso antes do forte relatório de emprego divulgado no mês de abril.
Os economistas avaliam que não há nenhum sinal de que haja redução precoce já em junho, ainda mais levando em conta que a maior parte dos integrantes do Fomc ainda não parece alinhada para fazer essa política. Muitos veem os primeiros sinais de diminuição de ritmo em setembro, enquanto outros acreditam que se dará apenas no final do ano.
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3. Ações X fluxo
De acordo com o Market Watch, este é o grande motivo para o mercado e o Fed não se comunicarem bem. Para o Fed, o mais importante sobre seus programas de títulos é que o valor total deles está assegurado em seu balanço patrimonial ao ser retirado do mercado.
Por outro lado, o mercado não leva em conta apenas o valor dos títulos, mas a presença contínua da autoridade monetária e o ritmo de compras mensais. Ou seja, o fluxo. De acordo com Julia Coronado, economista do BNP Paribas, o Fed pode até levar em conta que não há um efeito do fluxo, mas o balanço patrimonial dos ativos pode ser tão grande que levaria a um desconforto para o Fed.