Ben Bernanke, o professor que liderou a resposta dos EUA à crise

Com longo currículo acadêmico, economista presidiu o Fed, o banco central norte-americano, de 2006 a 2014.

Ben Bernanke
Nome completoBenjamin Shalom Bernanke
Data de nascimento:13 de dezembro de 1953
Local de nascimento:Augusta, Geórgia, Estados Unidos
Formação:Doutor em Economia
Cargos de destaque:Presidente do Fed, o banco central dos EUA, de 2006 a 2014

Quem é Ben Bernanke?

Ben Bernanke é um economista, professor e pesquisador norte-americano. Foi presidente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, por dois mandatos, de 2006 a 2014, indicado incialmente pelo republicano George W. Bush e reconduzido por seu sucessor, o democrata Barack Obama.

Bernanke comandou a autoridade monetária dos EUA durante a crise financeira internacional de 2008, desencadeada pela implosão do sistema hipotecário do país. É elogiado por ter evitado um tombo ainda maior e por políticas de estímulo econômico, mas é criticado por ter demorado a prever o estouro da bolha da hipotecas “subprime”.

Benjamin Shalom Bernanke nasceu em 13 de dezembro de 1953, na cidade de Augusta, estado da Geórgia, nos Estados Unidos. Filho de um farmacêutico e de uma professora, ele cresceu em Dillon, na Carolina do Sul.

De acordo com perfil publicado pelo jornal britânico The Guardian, Bernanke foi uma criança precoce, um “CDF” que aos 11 anos ganhou um concurso estadual de soletrar, e é autodidata em cálculo.

Quando jovem, deixou o Sul dos Estados Unidos para estudar na Universidade de Harvard, em Massachusetts, onde se formou em economia em 1975. Em 1979, concluiu doutorado no MIT (Massachusetts Institut of Technology), também em Economia.

Tornou-se professor de Economia e deu aulas na Universidade de Stanford, na Califórnia, de 1979 a 1985. Ele lecionou também na Universidade de Nova York (NYU, na sigla em inglês) e no MIT.

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Especialista em Grande Depressão

Bernanke seguiu longa e bem sucedida carreira acadêmica. Sua tese de doutorado foi sobre a Grande Depressão, período de ruína econômica que se seguiu à quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929.

O economista tornou-se um especialista no tema e autor do livro “Essays on the Grand Depression” (“Ensaios sobre a Grande Depressão”, em tradução livre).

Ele é autor de outras publicações, incluindo “Princípios de Economia”, em parceria com o também professor Robert Frank, um manual muito utilizado por estudantes de Economia nos EUA.

Em 1985, Bernanke começou a dar aulas de Economia na Universidade de Princeton, em Nova Jersey, onde ocupou diferentes cargos e permaneceu pela maior parte de sua carreira acadêmica. De 1996 a 2002, ele foi diretor do Departamento de Economia da universidade.

Em 2002, o economista passou a integrar o Conselho de Governadores do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. Em 2005, o então presidente George W. Bush o escolheu para presidir o Conselho de Assessores Econômicos da Presidência.

Presidente do Fed

Bernanke foi posteriormente escolhido pelo republicano Bush para substituir Alan Greenspan como presidente do Fed, o que ocorreu em 2006, após aprovação do Senado norte-americano.

A troca representou uma mudança de perfil significativa no comando da instituição. Até então, a presidência do Fed era geralmente ocupada por egressos do mercado financeiro, e Bernanke vinha de uma carreira eminentemente acadêmica.

O economista esteve à frente do banco central dos EUA durante um dos períodos mais turbulentos da economia do país e do mundo, a crise financeira e 2008. Ao listá-lo como a sétima pessoa mais poderosas do mundo em 2013, a revista norte-americana Forbes destacou que Bernanke ajudou a evitar um colapso econômico global e a dar início ao processo de recuperação da economia dos Estados Unidos. A publicação o chamou de “adulto na sala” da economia americana por sua atuação.

A crise das chamadas hipotecas “subprime” resultou na pior recessão desde a Grande Depressão, tema de estudo de Bernanke. Sob sua gestão, o Fed zerou a taxa de juros da economia norte-americana e iniciou um longo período de afrouxamento monetário para estimular a economia, processo conhecido como “quantitative easing”.

Bernanke é defensor do sistema de metas de inflação, leva crédito pelo aumento da transparência do Fed e advoga por postura ativa da autoridade monetária na mitigação de riscos financeiros. Foi criticado, no entanto, por ter demorado a prever o estouro da bolha imobiliária nos EUA.

Mesmo assim, em 2009, o sucessor de Bush, o democrata Barack Obama, indicou Bernanke para um segundo mandato de quatro anos como presidente do Fed. Ainda em 2009, o economista foi eleito “Personalidade do Ano” pela revista norte-americana Time.

Em 2010, seu nome foi mais uma vez ratificado pelo Senado. Ele permaneceu à frente do Fed até o início de 2014, quando foi substituído por Janet Yellen, atual secretaria do Tesouro dos Estados Unidos.

Pós-crise

Depois de deixar o Fed, Bernanke tornou-se pesquisador residente do programa de Estudos Econômicos da Brookings Institution, em Washington, consultor sênior da gestora Pimco e do fundo de hedge Citadel.

Em 2015, ele lançou o livro “The Courage to Act: A Memoir of a Crisis and its Aftermath” (“Coragem de agir: memórias de uma crise e suas consequências”, em tradução livre), que se tornou um best-seller. De 2017 a 2019, Bernanke foi presidente da Associação Americana de Economia. Em 2019, ele esteve no Brasil e participou de um painel da Expert.

Em 2020, Bernanke, Yellen e mais de 150 economistas divulgaram uma carta aberta pedindo ao Congresso dos EUA aumento do auxílio econômico em resposta à pandemia de Covid-19. Ambos falaram sobre o tema também numa audiência da Câmara dos Deputados, em julho de 2020, reiterando o apelo.

O economista é casado desde 1978 com Anna Bernanke e tem um casal de filhos, Joel e Alyssa.

Saiba mais

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