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SÃO PAULO – A economia brasileira, num período de 25 anos, entre 1980 e 2005, perdeu 25% de sua representatividade global, com o PIB (Produto Interno Bruto) nacional reduzindo sua participação de 3,4% para 2,6% das riquezas produzidas no planeta.
Ao longo destas mesmas duas décadas e meia, o peso da economia da China cresceu 325%, e seu PIB saltou de 3,2% para incríveis 13,6% do total mundial. Movimento semelhante, embora mais modesto, viveu a Índia, cuja participação na economia internacional passou de 3,3%, em 1980, para 6% em 2005, um aumento de 81%.
Esta discrepância entre o Brasil e os países asiáticos se repete na análise de suas representatividades no comércio exterior: enquanto China detém 5,8% deste mercado, e a Índia fica com outros 1,6%, o Brasil responde por apenas 1% das vendas internacionais.
Diante deste cenário, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) formulou a seguinte pergunta: por que estes dois países em desenvolvimento evoluíram tanto nas últimas décadas, ao passo que a economia brasileira apenas patinou durante o mesmo período?
As respostas
A explicação para as trajetórias antagônicas protagonizadas pelas economias em questão se baseia, sobretudo, no estímulo ou não do Estado ao setor produtivo. No Brasil, por exemplo, a carga tributária chega a 36,8% do PIB, patamar muito superior aos 15% verificados tanto na China quanto na Índia, países que, além de possuírem menos impostos, também oferecem incentivos fiscais para investimentos em áreas estratégicas e de infra-estrutura.
Nesta mesma linha de raciocínio, a Fiesp mostra que o volume de crédito disponível no Brasil para investimentos produtivos é de apenas 20% do PIB, enquanto na China atinge 40,4%, e na Índia encontra-se em 26% das riquezas produzidas por lá. Os juros também são muito maiores aqui: os empresários nacionais pagam 55,3% de encargos em seus empréstimos. Já os chineses gastam apenas 5,3%, e os indianos, não mais que 11,4%. Ou seja: nos países asiáticos, além do setor produtivo ter mais recursos disponíveis, este capital custa menos às empresas.
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Como o crédito é mais restrito no Brasil, os investimentos em pesquisa e inovações tecnológicas são bem menores em solo nacional. Apesar de, nesta comparação, o indicador brasileiro ser melhor que o indiano (0,87% do PIB, contra 0,85% na Índica), os chineses ficam bem à frente dos dois, com taxa de 1,23%.
O que fazer?
O estudo da Fiesp não apontou apenas as causas da perda de competitividade brasileira. Numa tentativa de indicar caminhos para o problema, a federação afirma que, antes de qualquer coisa, a taxa de investimento nacional precisa subir dos 20% atuais para, pelo menos, 25% do PIB.
Para tanto, de acordo com a Fiesp, faz-se necessário a queda das taxas de juros, principalmente pela redução dos spreads bancários, que são a diferença entre o custo que o sistema financeiro tem para arrecadar capital e o preço que cobram para repassá-lo ao mercado. Além disso, a entidade alerta sobre a necessidade de se minimizar os impostos cobrados das empresas, até mesmo por meio de uma ampla reforma tributária.
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Medidas como esta, contudo, não seriam suficiente para combater um outro problema, este de ordem mais complexa, e restrito à realidade dos países asiáticos. Trata-se da competição desleal freqüentemente praticada pela China e pela Índia, seja por meio da manipulação do câmbio, seja através de pirataria, dumping, subsídios ou salários abaixo da linha da dignidade. “Não há como intervir nisso, a não ser na Organização Mundial do Comércio (OMC)”, afirma o texto da Fiesp.
Vale dizer que, atualmente, o PIB chinês é estimado em US$ 1,64 trilhão e o indiano avaliado em US$ 661 bilhões, enquanto o PIB brasileiro encontra-se na casa de US$ 599 bilhões.