O desânimo aumenta na construção civil: índice de confiança cai 6,5%

O movimento de encolhimento do setor prossegue, não chegou ainda ao fundo do poço, e deve continuar a repercutir fortemente nos indicadores de atividade e no emprego

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Colunista convidada: Ana Maria Castelo, pesquisadora do Ibre-FGV

Depois de ficar estável em agosto, em setembro o índice de confiança das empresas da construção (ICST) da FGV voltou a registrar forte queda: 6,5% na comparação com o mês anterior, passando a acumular queda de 31% desde dezembro.

O resultado do mês surpreendeu, especialmente por ter sido “puxado” pelo índice de situação atual (ISA) que apresentou retração de 11,2% na comparação mensal. Nos dois meses anteriores, o indicador vinha sinalizando redução no ritmo de queda.

A pesquisa de setembro mostrou que para 59,4% das empresas a situação dos seus negócios está ruim. Para 56%, a atividade diminuiu nos últimos três meses. E um aspecto que chama atenção é que essa situação atinge todos os segmentos setoriais, ou seja, tanto edificações, infraestrutura e serviços especializados. É um cenário bastante negativo que repercute em indicadores como emprego e PIB. Os dados do emprego do Caged de agosto mostraram a demissão de mais de 25 mil trabalhadores no setor, levando a uma retração de mais 385 mil trabalhadores em 12 meses.

O resultado da sondagem de setembro indica que o movimento de encolhimento do setor prossegue, não chegou ainda ao fundo do poço, e deve continuar a repercutir fortemente nos indicadores de atividade. Vale notar que a intenção de demitir nos próximos três meses aumentou: quase 46% dos empresários contra 21,5% há doze meses.

Apenas 8,3% dos empresários indicaram intenção de aumentar o contingente de empregados, o pior resultado da série iniciada em julho de 2010.

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As expectativas também ficaram piores: o IE caiu 6,6% em relação ao mês anterior. E para esse resultado contribuiu decisivamente a queda de 8,8% na demanda prevista para os próximos seis meses.

Desde o final de agosto, as empresas se depararam com várias notícias negativas: o corte no Orçamento da União e a suspensão da assinatura de novos contratos atingiram diretamente as obras do PAC. No que diz respeito ao MCMV, o início da fase 3 parece cada dia mais distante, o que contribuiu para a disseminação do desânimo. O resultado do PIB do segundo trimestre levou a revisão para baixo das projeções para 2015 e também 2016.

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E por fim, a perda do grau de investimento, que vai tornar o crédito ainda mais caro e difícil. Vale notar que a dificuldade de acesso ao crédito já é, desde abril, uma limitação maior que a falta de mão de obra qualificada.

Enfim, a luz no fim do túnel para as empresas da construção está ficando, a cada dia, mais distante.