O Brasil não é para amadores, diz Financial Times

E nem para pessoas enjoadas, afirma FT; para publicação britânica, em termos de investimento no País, os brasileiros são profissionais
Torcedora da Seleção Brasileira
Torcedora da Seleção Brasileira

Publicidade

SÃO PAULO – Em matéria em que mostra diversos gráficos com as ações do Brasil e o movimento de taxas de juros, o Financial Times ressalta que o País não é para amadores. E nem para os “enjoados”. 

Isso porque, ressalta o FT, as ações brasileiras (análise feita através do ETF iShares MSCI Brazil) têm registrado uma forte volatilidade, muita acima das ações dos emergentes e do S&P500. “E se você pensou que as ações chinesas tinham colocado os investidores de capital na maior montanha-russa do mundo nos últimos meses, pense novamente”, afirma a reportagem, citando novamente o Brasil como a fonte da turbulência. 

E a turbulência do mercado de renda fixa do Brasil, muitas vezes sóbrio na comparação com os mercados de ações, tem registrado uma tendência similar. Os juros de longo prazo, com vencimento em 2021, tiveram forte alta, passando de 13% em julho para quase 17% no mês passado. 

O economista para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, afirma que “há tanta incerteza, tanta incerteza como risco”. “Risco não é um problema. Os mercados são bons em precificar e diversificar o risco. Mas a incerteza é totalmente corrosiva e é isso que nós temos, não apenas (risco) econômico, mas também político”. 

E a tendência do mercado vai em ambas as direções: tanto de uma alta muito expressiva dos ativos, quando uma queda forte. “Analistas dizem que um Federal Reserve mais ‘dovish’ em conjunto com o Banco Central do Brasil mais ‘dovish’ estimularia o rali, juntamente com alguns dados menos ruins sobre a economia do Brasil. Mas a crise do país ainda é grave. A expectativa é de contração de 3,7% do PIB no ano passado; este ano será quase tão ruim. O desemprego deve bater recordes; a confiança do consumidor e dos empresários está na mínima histórica”, afirma.

Em meio a um cenário tão negativo, os investidores estrangeiros, depois de colocarem US$ 27 bilhões em ações e títulos brasileiros nos primeiros cinco meses de 2015, saíram no restante do ano.

Continua depois da publicidade

Os investidores brasileiros têm uma visão diferente, aponta o FT, entrando nos mercados se os estrangeiros estão saindo e vice-versa. Contudo, os fluxos impulsionados por investidores residentes são de uma magnitude muito menor do que os dos não residentes. 

No entanto, diz Robin Koepke, economista sênior do Instituto de Finanças Internacionais,  esse comportamento sugere um padrão. “Olhando para carteira de investimentos dos brasileiros, parece que eles estão se comportando de forma muito parecida em relação à maioria dos investidores”, diz ele. “Eles estão vendendo ativos estrangeiros durante os períodos de volatilidade e comprando ativos estrangeiros quando a confiança do investidor global melhora.”

Porém, o FT aponta que pode haver um outro lado da moeda: além da lei da repatriação, que pode atrair capital para cá, o jornal aponta a alta taxa de juros do País. 

Continua depois da publicidade

“Enquanto os estrangeiros podem fugir do Brasil junto com outros mercados emergentes quando as coisas parecem ruins na China, os brasileiros, que estão mais acostumados com os altos e baixos de seu mercado de origem, veem a oportunidade de fazer dinheiro. Longe de serem amadores, como eles poderiam dizer, são os profissionais”, afirma.

Carteira da InfoMoney bateu o Ibovespa em 8 pontos em janeiro: você já baixou a sua?

Autor avatar
Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.