Riscos observados de perto

Nubank (NUBR33): corte de custos de captação com nova política é positivo, mas analistas monitoram reação dos clientes

Fintech anunciou que o saldo de novos depósitos em suas contas só renderá no 31° dia, quando o cliente receberá o rendimento do período retroativamente

Por  Equipe InfoMoney -

O Nubank (NYSE:NU; B3: NUBR33) anunciou no início da semana que vai começar uma nova dinâmica de investimento com clientes, de modo a baixar substancialmente os custos de captação.

A fintech anunciou na segunda-feira que o saldo de novos depósitos em suas contas (ou a Nuconta) só renderá no 31° dia, quando o cliente receberá o rendimento do período retroativamente. Desse modo, os recursos depositados pelos clientes e retirados antes de 30 dias não terão o rendimento de 100% do CDI oferecido pelo banco digital. A medida será implementada em fases a partir de 25 de julho.

As ações reagiram positivamente na última terça-feira (12) ao anúncio, com os ativos NU fechando com alta de 4,77%, a US$ 3,95, na Bolsa de Nova York. Ainda assim, acumulavam queda de mais de 57% no ano.

Analistas de mercado destacaram a medida como positiva por reduzir os custos de financiamento. Mas, ao mesmo tempo, monitoram qual será o comportamento dos clientes do banco digital uma vez que tira de vista um dos atrativos da instituição.

“Estimamos que 40% a 50% dos depósitos a prazo do Nubank sejam resgatados em menos de 30 dias e zerar os rendimentos antes deste período pode reduzir amplamente os custos de captação de clientes, que neste ano devem girar em torno de R$ 7 bilhões”, escreveram analistas do Itaú BBA, que veem no movimento “um grande passo para otimizar custos de financiamento”.

A medida do Nubank foi anunciada em conjunto com uma nova ferramenta para que os clientes possam separar seus investimentos de acordo com o destino dos recursos, chamada de “caixinhas”. Nesse caso, a novidade já começou a valer para alguns correntistas e será implementada totalmente no Brasil até setembro.

“As caixinhas contam com possibilidades de investimento sugeridas pelo Nubank, de acordo com os objetivos e o prazo pré-estabelecido pelo cliente, mas com liberdade de escolha entre as opções disponíveis”, disse o banco digital em comunicado à imprensa. De início, serão oferecidos recibos de depósito bancário (RDBs), com possibilidade de liquidez imediata ou diária e rendimento de 100% do CDI, e um fundo com estratégia focada em renda fixa com liquidez diária, segundo o banco.

Para os analistas do BBA, caso a mudança, que será gradual, seja bem-sucedida, a estimativa é de um potencial de redução de 40% nos custos de captação e aumento de 15% no lucro líquido de 2026.

“A otimização dos custos de captação é essencial, pois o Nubank busca competir com grandes bancos nas carteiras de crédito de varejo menos arriscadas”, escreveu a equipe de análise do Itaú BBA, liderada por Pedro Leduc.

O Bradesco BBI estima que esse movimento pode gerar lucro líquido adicional de US$ 120 milhões a US$ 850 milhões em 2026. Contudo, só se assumir que uma parte relevante de seus clientes manterá seus depósitos por até 30 dias.

Caso não, os ganhos potenciais devem reduzir, enquanto uma reação significativa pode acontecer relacionada ao modelo de negócios centrado no cliente da Nu.

“Continuamos a questionar se tal movimento pode prejudicar a fidelidade dos clientes e, portanto, a estratégia centrada no cliente da Nu, levantando questões sobre se a fintech poderia realmente se tornar semelhante a um ‘banco tradicional’”, reforçam.

O Itaú BBA também pondera que o resultado desta nova ferramenta ainda não é claro e o principal risco a ser monitorado será se os depósitos a prazo e a satisfação dos clientes vão diminuir.

“Para o curto prazo, vemos que os impactos em resultados devem ser limitados, já que a adaptação será gradual. Em linhas gerais, vemos a mudança como positiva e com potenciais significativos caso seja implementada adequadamente”, avaliam.

O BTG, por outro lado, apontou que não espera que esse movimento crie nenhum grande atrito com clientes, “uma vez que quando os depósitos são sacados em até 30 dias, o IOF (que reside) já é muito alto – variando gradualmente de 96% a 3% com o passar do tempo – então não deve haver grandes mudanças nos retornos após impostos”.

“Ambos os movimentos devem ser o início de fato da expansão da penetração do Nubank em produtos de investimento…tais mudanças não serão fáceis, mas podem implicar em um significativo potencial de ganho”, apontaram os analistas do BTG.

O Itaú BBA e o Bradesco BBI possuem recomendação underperform (desempenho abaixo da média do mercado, ou equivalente à venda) para os ativos NU negociados na Bolsa de Nova York, com preços-alvo respectivos de US$ 4,50 (potencial de valorização de 14% frente o fechamento de terça-feira) e US$ 3,30 (valor 16% menor em relação ao fechamento da véspera). Já o BTG tem recomendação neutra para o Nubank com preço-alvo de US$ 4 (valor 1% maior na comparação com o fechamento de sexta).

(com Reuters)

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