Publicidade
SÃO PAULO – A chegada de uma, ainda sem nome, companhia aérea no Brasil, conforme anunciou o fundador da JetBlue Airways na última quinta-feira (27), David Neeleman, deixará o mercado mais competitivo – o que beneficiará os consumidores finais com rotas mais abrangentes e, possivelmente, preços atrativos. A opinião é compartilhada por analistas de diversos bancos corretoras, além do próprio SNEA (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias).
Uma maior competitividade, contudo, não deve gerar preços menores. Na avaliação de André Castelini, sócio da Bain&Company, os preços praticados no Brasil já estão baixos. “Os resultados de 2007 da TAM e da Gol já foram modestos. A proposta da nova empresa não são tarifas mais baixas, mas serviços mais convenientes, entre cidades que antes não tinham rota direta”, continuou, citando ainda que a carga tributária brasileira é um freio de valores menores.
Foco
A corretora Ativa acredita que a nova empresa não entrará no setor provocando uma guerra de preços. “O foco será atender os mercados regionais onde ainda não há vôos diretos, criando em cinco anos uma malha sem escala entre essas regiões”, informaram os analistas.
Continua depois da publicidade
De qualquer maneira, foi lembrado que é a empresa ainda sem nome será concorrente de peso para as duas principais do setor.
Rotas alternativas
Conforme o SNEA, as operações da empresa, que serão iniciadas em 2009, segundo previsão, são vistas com bons olhos. Por meio de sua assessoria de imprensa, a entidade informou que é a favor da concorrência no setor. Gol, TAM e Anac (Agência Nacional de Avião Civil) informaram não comentar a situação.
“Apesar da intenção inicial de se focar apenas em rotas alternativas, os planos de expansão rápida de Neeleman indicam que, no longo prazo, a competição com TAM e Gol será inevitável. Levando em consideração que o projeto deve usar a proposta de baixo-custo, prevemos que a Gol será mais afetada”, informou análise do Santander.
Segundo o Credit Suisse, a chegada da companhia resultará em uma superoferta de lugares nos aviões, fazendo com que os lucros auferidos pelas demais empresas sejam menores – percepção compartilhada pela Socopa Corretora Paulista.
Operações
Neeleman prevê que a nova companhia inicie suas operações já no começo de 2009. E para isso, encomendou 36 jatos Embraer 195, como divulgado pela companhia na noite da última quinta-feira.
De acordo com a Embraer, o contrato prevê, ainda, opções para outras 20 aeronaves e direitos de compra para mais 20. Com isso, o valor do negócio ficou em US$ 1,4 bilhão, podendo atingir US$ 3 bilhões caso todas as opções e direitos de compra sejam confirmados.
Continua depois da publicidade
Para ir “conquistando” a clientela e garantir a divulgação de seus trabalhos, a nova companhia já tem uma promoção: consumidores que participarem do processo de escolha do nome poderão ganhar passagens. Quem sugerir o nome ganhador terá passe vitalício na empresa, com acompanhante.