Em mercados

China impulsiona mercados com possíveis estímulos - mas economistas estão céticos

Segundo o Credit Suisse, a injeção de liquidez ajuda marginalmente, mas não resolve o fato de que as pequenas e médias empresas privadas ainda não têm acesso a crédito e, com isso, a ineficiência de alocação de crédito não deve ter melhora (não devendo estimular a economia)

China
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa tem mais uma sessão de ânimo nesta segunda-feira - e um dos motivos é a expectativa de mais estímulos na economia da China.  Porém, essas medidas podem não ser suficientes para animar a segunda maior economia do mundo. 

No último fim de semana, foi divulgado que as exportações da China sofreram queda anual de 1% em agosto, abaixo da expectativa do mercado de alta de 2%. Já as exportações contraíram em 5,6% na mesma base de comparação.  Os dados mais fracos da balança comercial chinesa reforçaram as expectativas de que Pequim terá de adotar novas medidas de estímulos para impulsionar a economia, o que gerou otimismo em mercados globais.

De acordo com David Wang, economista do Credit Suisse, por um lado, o valor de exportação de agosto foi praticamente em linha com agosto de 2018. Com isso, aponta, seria prematuro concluir que as exportações colapsarem por causa da guerra comercial. 

Mas, por outro, as importações mensais tiveram redução em US$ 32 bilhões nos primeiros oito meses do ano comparados ao mesmo período do ano passado, provavelmente em meio às incertezas comerciais. 

A China, contudo, vem compensando a queda nas exportações para os EUA ao exportar mais para a ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), especificamente para Taiwan, Vietnã e Filipinas. 

"Olhando para frente, esperamos que os próximos dados continuem mostrando contração, principalmente de bens intermediários e demanda doméstica mais fraca, mas com as grandes produtoras de commodities (por causa de investimentos no setor de construção) compensando parcialmente os dados de importação", afirma a equipe de Credit. 

O Credit ressalta que a notícia mais negativa sobre as exportações foi compensada pelo anúncio do Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês), indicando a intenção de cortar até 16 de setembro em 50 pontos-base os valores de reservas exigidas (ou RRR), uma espécie de compulsório. 

Porém, o banco suíço é cauteloso com a relação que o corte poderia ter no crescimento econômico. A injeção de liquidez ajuda marginalmente, avalia o economista para China da instituição, mas não resolve o fato de que as pequenas e médias empresas privadas ainda não têm acesso a crédito e, com isso, a ineficiência de alocação de crédito não deve ter melhora.

Ele ainda avalia que os pequenos bancos regionais devem estar reduzindo o risco após dois bancos chineses terem que ser resgatados. Outra questão apontada é que os depósitos estão saindo dos bancos pequenos para grandes estatais até que haja mais clareza da legislação sobre a garantia nas pequenas instituições financeiras. 

Desta forma, como já se esperava corte nos compulsórios, a projeção do Credit para o crescimento do PIB chinês de 2019, de 6,2%, está mantida. 

O Morgan Stanley, por sua vez, aponta que esse corte na RRR é parte de um esforço conjunto para "proporcionar condições econômicas favoráveis" para o 70º aniversário da fundação da República Popular da China, a ser comemorado em outubro, o que pode incluir também uma redução na taxa básica de juros.

"No entanto, acreditamos que a flexibilização das políticas permanecerá de natureza reativa e defensiva, e o impulso para um amplo
crescimento no mercado de crédito pode ser mais suave do que no primeiro trimestre, devido a incertezas sobre a guerra comercial e sobre o setor imobiliário", avalia a equipe de análise do banco. 

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