Em mercados

Economia da China dá "munição" a Trump ao apontar: é urgente resolver a guerra comercial

Atividade do gigante asiático está mais enfraquecida, enquanto economistas avaliam que um dos remédios para atividade não enfraquecer é a resolução da tensão entre EUA e China

EUA Estados Unidos China
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Esta segunda-feira (15) contou com mais uma notícia negativa para as perspectivas globais sobre a economia. A China registrou seu crescimento econômico mais baixo desde que o país passou a divulgar dados trimestrais de seu PIB em 1992, com uma alta de 6,2% no período de abril a junho em relação a um ano atrás - dando ainda mais munição para Donald Trump nas negociações sobre a guerra comercial.

O presidente dos EUA destacou em sua conta no “Twitter” que as tarifas comerciais impostas pelos EUA estão tendo efeito sobre as empresas, que querem deixar a China para países que não estão tarifados. Por conta disso, afirmou o presidente americano, o gigante asiático quer fazer um acordo com os EUA.

Conforme aponta a equipe econômica do Credit Suisse, o menor crescimento do PIB chinês em quase três décadas está alinhado com a percepção de que a guerra comercial continua como uma ameaça. 

A avaliação de economistas é que os governos regionais estão cortando gastos em infraestrutura  e apontam ainda que uma queda acentuada nas exportações para os Estados Unidos levou a um enfraquecimento da produção industrial e os investimentos em equipamentos e instalações.  

Afirmam, ainda, que o gasto dos consumidores também permanece baixo em alguns setores. Houve uma exceção em junho, com uma leitura forte para o setor de consumo, com as vendas fechando o trimestre com alta de 8,5% na base de comparação anual. O Credit aponta, porém, que os números podem ter sido puxados por uma venda de estoques de automóveis, com a população antecipando uma mudança na legislação de emissões de poluentes. Assim, não há expectativa de sustentabilidade do movimento. 

A China viu seus investimentos em ativos fixos desacelerarem de alta de 6,2% para 5,5% no segundo trimestre, com destaque para os investimentos industriais, que tiveram forte desaceleração de alta de 5% na base anual para 2,2%. Contudo, avalia o banco suíço, ainda não se espera um ambiente de "pouso forçado" neste quesito, principalmente por conta dos investimentos em infraestrutura e setor imobiliário.  

Para o banco suíço, a China provavelmente prosseguirá com os estímulos para os setores imobiliário e de infraestrutura, levando à manutenção das projeções de crescimento do PIB para 6,2% neste ano. Por outro lado, apontam que são necessários dois movimentos para não impactar fortemente o setor de manufatura chinês: a resolução da guerra comercial e uma alocação de crédito por parte das autoridades do país.

As perspectivas para os próximos trimestres também não são vistas como positivas pelo Morgan Stanley, que vê continuidade da pressão sobre o crescimento no segundo semestre principalmente por conta de incertezas em torno da política comercial pós-G20 (evento em que foi firmada uma espécie de trégua entre os EUA e a China).

"Os formuladores de políticas chineses provavelmente vão manter o ritmo de flexibilização registrado desde junho para impulsionar gastos públicos diretos, e podem expandir a cota anual de emissão do governo local de títulos especiais se o crescimento tiver sinais de enfraquecimento ainda maiores no terceiro trimestre", afirmam os economistas do Morgan.

Entretanto, a política monetária também precisa acomodar financiamentos para projetos de infraestrutura. Dito isto, estas medidas só poderiam compensar parcialmente os problemas de crescimento levando em conta a resposta política e o impacto generalizado de tensões comerciais persistentes. 

Assim, o ambiente segue de tensão sobre a economia chinesa, conforme também aponta a Nomura, destacando que ainda não há sinais de que a economia da China tenha atingido o piso em junho.  

Desta forma, conforme ressalta o MarketWatch, Trump pode ter conseguido um certo poder de barganha com a desaceleração da economia chinesa. Porém, o efeito para o fim na guerra comercial ainda é incerto. Neste cenário, vale ficar atento aos acontecimentos das próximas sessões: nesta semana, informou  secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, os americanos terão uma nova conversa com os chineses. Enquanto as negociações patinam, as duas gigantes da economia mundial devem sofrer - afetando assim as perspectivas para a atividade global como um todo. 

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