Em mercados

Paciência do Fed mostra que a teoria das universidades está ameaçada, diz economista

Os EUA crescem e vivem uma situação de pleno emprego sem que a inflação suba para a meta do banco central, o que desafia professores e especialistas

Jerome Powell
(Flickr/Federal Reserve)

SÃO PAULO - O mercado se decepcionou com o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que disse não haver planos para um corte nos juros da maior economia do mundo no curto prazo. Powell entende, que apesar do mercado de trabalho e da atividade econômica estarem se desenvolvendo bem, a inflação continua abaixo da meta, de modo que é preciso esperar para ver como todos esses elementos caminharão juntos no futuro. 

Segundo o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, a inação do Fed, que se recusa a reduzir juros agora, é a atitude mais sábia que os membros da autoridade monetária poderiam tomar. "É preciso mensurar o que é um país sem inflação com crescimento de mercado de trabalho e de salários. É difícil de entender o que está acontecendo nos Estados Unidos", avalia. 

Para Vieira, o contexto macroeconômico atual está desafiando os parâmetros de teoria econômica monetária estabelecidos nas universidades. Afinal, uma premissa clássica do pensamento econômico sobre política monetária é que o crescimento econômico tem algum impacto inflacionário.

Não é isso que se vê em um país que teve expansão de 3,2% no PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre de 2019, taxa de desemprego de 3,8% (em 5% já é considerado pleno emprego) e apenas 1,6% de aumento no núcleo do PCE – medidor de inflação preferido do Fed para embasar suas decisões – em março na comparação com o mesmo mês do ano passado. Vale lembrar que a meta de inflação perseguida pelo banco central dos EUA é de 2% ao ano. 

"O Fed está dizendo que não sabe o que fazer e nem vai sinalizar nada. E esse é o certo. As autoridades precisam de tempo para estudar e da ajuda da academia para atualizar a teoria monetária", defende o economista. 

Vieira diz que, apesar da afobação do mercado, este não é um momento em que seja justo exigir soluções rápidas e clareza. "Não se sabe sequer se isso é um efeito localizado por conta das características da economia americana de muita digitalização das atividades. Pode estar ocorrendo até o no Brasil, mas não temos como medir por conta da crise recente", destaca. 

Jason Vieira entende que o momento é de mostrar humildade para entender em que se errou e até onde vai esse movimento ímpar da economia norte-americana. Nesse caso, o Fed seria temerário se reduzisse as taxas de juros e expusesse o país a choques inflacionários, por exemplo. 

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