Em mercados

Por que os juros futuros estão subindo apesar da inflação abaixo do esperado?

Devolução de expectativas de cortes na Selic e aceleração na inflação de serviços explicam o movimento

juros Selic
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Os contratos dos juros futuros apontam para alta das taxas nesta sexta-feira (8). Isso ocorre mesmo após um dos principais direcionadores para eles, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de janeiro, ter indicado à primeira vista que iria acontecer o contrário.

Nesta sexta-feira, o IBGE divulgou os dados de inflação oficial do Brasil, que é um dos guias para a definição da taxa básica de juros, a Selic. As expectativas para a Selic, por sua vez, são refletidas diretamente no mercado de juros futuros. Desta forma, o IPCA abaixo do esperado, de 0,32% na base mensal ante expectativa de alta de 0,37%, levaria à percepção de uma queda nas taxas, mas não foi o que aconteceu. 

Mas afinal, o que ocorreu? Se a inflação se mostra sob controle, sem risco de estourar o teto da meta, por que o mercado aponta para juros mais altos? 

Para começar, a curva de juros ainda está corrigindo seu rumo desde a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) na noite de quarta-feira (6). Embora a manutenção da Selic em 6,50% já fosse amplamente esperada pelo mercado, crescia entre os investidores a expectativa de que o ritmo fraco da inflação estivesse abrindo espaço para novos cortes. 

No entanto, o comunicado da decisão do Banco Central deu grande destaque para os riscos e as assimetrias, o que indica que a autoridade quis reduzir as avaliações sobre um possível corte de juros, segundo analistas. Também chamou atenção o fato de a autoridade monetária falar em cautela nas suas decisões.

Ao tirar novos cortes do radar, ao menos no curto prazo, a curva de juros passou a devolver essas reduções que vinham sendo embutidas nos últimos pregões. 

Além de haver um resquício desse movimento de correção, a análise do ritmo da inflação para a estimativa dos próximos patamares exige um olhar mais atento aos detalhes. Embora o IPCA tenha ficado em 0,32%, abaixo dos 0,37% estimado, o comportamento dos preços de serviços mostrou aceleração e acabou ofuscando o resultado oficial da inflação. 

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A inflação de serviços, sem passagens aéreas, acelerou de 0,28% em dezembro para 0,58% em janeiro. A variação não é suficiente para elevar a expectativa para o IPCA deste ano. Pelo contrário, algumas casas até reduziram suas estimativas, mas a alta nos preços de serviços em janeiro é suficiente para manter investidores em alerta e forçar a devolução de qualquer possibilidade de corte na Selic ainda neste ano que ainda esteja embutida nas taxas.

Neste cenário, o contrato com vencimento em janeiro de 2021 subia 8 pontos-base, passando de 7,15% para 7,23%, e o contrato para janeiro de 2023 avançava 10 pontos-base, indo de 8,26% para 8,36%. Assim, o mercado passa por uma sessão de ajuste nesta sessão depois das fortes quedas nos pregões pré-Selic - e o IPCA ajudou neste movimento. 

 

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