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Selic vai subir menos do que o mercado espera e ficar em 7% em 2019, diz BofA

Apesar da alta do IPCA nos últimos meses, o cenário de inflação benigna irá levar o BC a manter os juros baixos por mais tempo

Juros
(ThinkStock)

SÃO PAULO - Após cortar a Selic de 14,25% para 6,5% entre 2016 e 2018, o Banco Central entrou em um ciclo de manutenção dos juros neste patamar desde março deste ano e que deve mudar a partir do ano que vem. Porém, a alta esperada para a taxa básica deve ser menor do que espera boa parte dos analistas.

Esta avaliação foi feita pelo Bank of America Merrill Lynch em relatório divulgado nesta terça-feira (6). Segundo os analistas, o cenário de inflação benigna deve permitir que o BC mantenha a Selic em 6,5% por um tempo maior, levando os juros a encerrarem 2019 em 7%.

Segundo o último boletim Focus, que compila as projeções de diversos analistas e economistas, a taxa deve ficar em 8% no ano que vem.

Apesar desta análise diferente, o BofA explica que esta previsão está condicionada ao andamento da reforma da Previdência e ao projeto de independência da autoridade monetária, o que reduziria as taxas neutras e reduziria as chances de um potencial de ancoragem das expectativas de inflação.

Ajuda da inflação
Este cenário do BofA de Selic mais baixa em 2019 é baseado em uma dinâmica de inflação benigna, seguindo o que aconteceu na maior parte do primeiro semestre. Depois de encerrar o ano passado em 2,9%, nível mais baixo desde 1998, o IPCA caiu para 2,7% no primeiro trimestre, bem abaixo da meta de 4,5% para este ano.

"A dinâmica até maio foi similar àquelas observadas em 2017, com pressões descendentes na inflação impulsionada pelo mercado, provenientes principalmente dos preços dos alimentos, mas um pouco compensada pelas pressões ascendentes nos preços administrados", explicam os analistas.

O principal problema foi a greve dos caminhoneiros de maio, que acabou com o "colchão de inflação". Isso levou a uma forte aceleração do IPCA para 4,4% até o final do segundo trimestre. Apesar do preço dos combustíveis e da energia terem pressionado o indicador, o BofA afirma que os preços livres, que representam 74% do IPCA, contribuiu para manter a situação estrutural da inflação benigna.

Segundo os analistas, os preços livres devem se tornar gradualmente mais importantes para determinar a evolução geral da inflação o que leva a uma expectativa de que o IPCA termine 2019 em 4,2%, em linha com a meta do CMN (Conselho Monetário Nacional) de 4,25%, 

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