Em mercados

As 4 notícias que agitaram o mercado e você precisa saber na volta do feriado

Entre caos com tentativa de soltar o ex-presidente Lula e temores com demissões de ministros no Reino Unido, o noticiário ficou agitado desde domingo

Investidor estrangeiro
(ImageFlow/Shutterstock)

SÃO PAULO - Para o investidor que foi viajar para aproveitar o feriado, muita coisa aconteceu durante os últimos dias, em especial no domingo (8) quando uma série de liminares criou uma disputa jurídica na tentativa de tirar o ex-presidente Lula da prisão. Apesar disso, a reação inicial no mercado, vista nos ADRs durante o feriado, se mostrou positiva.

Confira as 4 notícias que agitaram o feriado:

1) Disputa para soltar Lula
Apesar dos ADRs não mostrarem um grande impacto, o caos gerado no último domingo voltou a ligar o alerta sobre a política doméstica. Na manhã do dia 8 de julho, o desembargador de plantão no TRF-4, Rogério Favreto, que foi filiado ao PT por quase 20 anos, acatou um pedido de habeas corpus e mandou soltar Lula, pegando todo o Brasil de surpresa e criando uma disputa jurídica que durou o dia inteiro.

Após esta primeira decisão, o juiz Sérgio Moro se negou a cumprir a liminar dizendo que Favreto, na condição de plantonista do Tribunal, não poderia ter tomado a decisão. Com isso, ele encaminhou o caso para o relator do TRF-4, João Pedro Gebran Neto, que mandou o ex-presidente permanecer preso.

Isso não foi suficiente para Favreto, que reiterou sua decisão de soltar o ex-presidente, estipulando um prazo que durou até 17h12 de domingo. Porém, nada ocorreu até este horário, sendo que cerca de uma hora depois, o presidente do Tribunal, Carlos Eduardo Thompson Flores, deu decisão contra a soltura, colocando um ponto final na disputa.

Apesar do caso ter sido decisivo, a situação "abriu uma nova ferida" no ambiente judiciário e político. Segundo analistas, a confusão deixa o cenário eleitoral ainda mais incerto por conta dos temores de novas intervenções inesperadas da Justiça e ainda enfraquece o juiz Sérgio Moro, que teve sua atuação bastante criticada pela rapidez que ele teve em negar a soltura de Lula e fazendo isso estando de férias. O caso ainda deve gerar muito debate daqui para frente

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2) ADRs sobem em Nova York
Em dia de B3 fechada por conta do feriado em São Paulo, os ADRs (American Depositary Receipts) das empresas brasileiras negociadas em Nova York tiveram uma segunda-feira (9) de ganhos, seguindo o bom humor dos índices no mundo todo, conforme o mercado deixa de lado um pouco os temores da guerra comercial entre EUA, China e Europa, que ainda segue no radar.

O índice Dow Jones Brazil Titans, que reúne os principais ADRs de empresas brasileiras, teve alta de 1,17%, atingindo 19.472 pontos. O destaque ficou para os ativos PBR da Petrobras, que subiram 2,5% e fecharam a US$ 10,69, enquanto a BRF, por sua vez, avançou 4,4%, após o Barclays elevar sua recomendação para os ativos da companhia. Clique aqui e veja mais detalhes do movimento do mercado no feriado.

3) Brexit em risco no Reino Unido
A primeira-ministra Theresa May sofreu duras derrotas nos últimos dias com três de seus ministros deixando o cargo em apenas 24 horas. O último foi o secretário das Relações Exteriores, Boris Johnson, que na sexta-feira passada ajudou a costurar um acordo entre os membros do gabinete sobre a estratégia de May para a saída da União Europeia. Foi anunciado que  Jeremy Hunt irá ocupar o cargo.

Em discurso no Parlamento após o anúncio da renúncia, a primeira-ministra afirmou que "não estamos de acordo sobre a melhor maneira de entregar nosso compromisso compartilhado de honrar o resultado do referendo" em que a população aprovou a saída da UE.

Na próxima quinta, May deve divulgar a íntegra de seu plano para o Brexit. Antes de Johnson, o secretário do Brexit, David Davis, e seu número dois no Departamento da Saída da UE, Steve Baker, já haviam pedido demissão. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou na segunda que o Brexit está longe de ser resolvido e que nada mudou após a saída de Davis.

4) Noticiário corporativo
A BRF teve sua recomendação elevada de neutra para overweight pelo Barclays, que destacou que as medidas anunciadas recentemente pelo novo presidente da companhia, Pedro Parente, podem sinalizar o fim do mau desempenho das ações. Segundo os analistas, Parente tem experiência em recuperar empresas com desempenho insatisfatório e agiu rapidamente para estabilizar as operações.

"As alterações introduzidas podem não produzir resultados no curto prazo, e os ventos contrários recentes (greves dos caminhoneiros, tensões comerciais, tarifas adversas) afetarão os resultados do segundo e terceiro trimestres. No entanto, perspectivas de médio a longo prazo melhoraram
significativamente", avaliam.

Já a Embraer teve o preço-alvo do seu ADR elevado de US$ 35 para US$ 37 pelo Bank of America, que reiterou a recomendação de compra. Para os analistas, os investidores estão entendendo mal os benefícios de longo prazo para a Embraer no acordo anunciado na semana passada com a Boeing.

Enquanto isso, a Cesp foi rebaixada para "venda" pelo Citi, com preço-alvo de R$ 14,30, que implica em um potencial de baixa de 14% para as ações no preço atual. Por fim a Ambev informou que o presidente de seu Conselho Fiscal, James Terence Coulter Wright, faleceu.

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