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O Bradesco BBI revisou para cima suas estimativas para o preço do petróleo e elevou os preços‑alvo das principais petroleiras da América Latina, após o cessar‑fogo temporário entre Estados Unidos e Irã reduzir, ainda que de forma limitada, parte das incertezas geopolíticas no Oriente Médio. Apesar disso, o banco optou por manter inalteradas as recomendações para as ações, alegando que o mercado já precificou boa parte do cenário mais construtivo para a commodity.
A nova curva de preços do Brent passou a considerar US$ 85 por barril em 2026, ante US$ 63 anteriormente, US$ 80 em 2027 e US$ 70 no longo prazo, refletindo impactos estruturais do conflito, como maior dificuldade para religar poços, custos mais elevados de logística e seguros, além de mudanças duradouras nas rotas globais de oferta.
Com a revisão, o banco elevou os preços‑alvo de todas as empresas de exploração e produção (E&P) sob cobertura. Ainda assim, reforçou que apenas os papéis com potencial de valorização acima de 20% e crescimento robusto mantêm recomendação de compra.
Petrobras segue neutra
No caso da Petrobras (PETR4), o BBI elevou o preço‑alvo para US$ 19 por ADR, equivalente a R$ 50 por ação (ante valor anterior de R$ 44(, mas manteve a recomendação neutra.
Segundo o relatório, a estatal se destaca pela proteção contra a volatilidade do petróleo via política de preços domésticos e por um “sweet spot” do Brent entre US$ 80 e US$ 90, que favorece a geração de caixa sem intensificar ruídos políticos. A expectativa é de dividend yield de 6,5% em 2026, acima da média dos pares emergentes, mas ainda insuficiente para justificar uma recomendação mais otimista.
A PRIO (PRIO3) teve o preço‑alvo elevado para R$ 69, ante R$ 58, refletindo ajustes na curva de produção e no campo de Wahoo. Ainda assim, o banco manteve recomendação neutra, citando valorização recente do papel e potencial de retorno total de cerca de 18%.
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Já a PetroReconcavo (RECV3) teve o preço‑alvo elevado para R$ 16, de R$ 15, mas segue como a menos atrativa entre as juniors, segundo o BBI, devido ao impacto dos hedges, que limitam a exposição ao petróleo em 2026.
Preferidas seguem Vista, YPF e Brava
Entre as ações com recomendação outperform, o destaque segue sendo a Vista Energy (VIST), cujo preço‑alvo subiu para US$ 90, incorporando a aquisição de ativos da Equinor na Argentina e um crescimento mais acelerado da produção. O banco vê potencial de alta de cerca de 35%, além de geração consistente de caixa livre nos próximos anos.
A YPF (YPF) teve o preço‑alvo elevado para US$ 52, com upside estimado em 20%, sustentado pela recuperação do upstream e pela melhora do cenário macroeconômico argentino, apesar da exposição maior ao refino.
Já a Brava Energia (BRAV3) teve o preço‑alvo elevado de R$ 24 para R$ 27, impulsionado por uma expectativa de forte aumento do Ebitda em 2027, quando os efeitos dos hedges diminuem. O banco vê potencial de geração de caixa expressivo, mantendo assim recomendação outperform.
O Bradesco BBI destaca ainda que países como Brasil e Argentina tendem a se beneficiar de mudanças estruturais nas rotas globais de petróleo, por não dependerem do Estreito de Ormuz. Esse fator pode sustentar prêmios maiores para óleos da região mesmo após o fim do conflito. Por outro lado, reforça que a volatilidade segue elevada e que novas revisões dependerão da duração do cessar‑fogo e do desfecho das negociações diplomáticas.
| Como a guerra no Irã afetou o mercado | |||
| Ativo | Preço 27/02 | Preço 16/04 | Variação (%) |
| Petróleo WTI (US$) | 67,02 | 92,38 | 37,84% |
| Petróleo Brent (US$) | 72,48 | 89,19 | 23,05% |
| Ibovespa (pontos) | 188.787 | 197.738 | 4,74% |
| PETR4 (R$) | 39,33 | 46,89 | 19,22% |
| S&P 500 (pontos) | 6.878,88 | 7.022,95 | 2,09% |
