Em mercados

Copom fez a coisa certa, mas a próxima reunião é imprevisível, dizem analistas

Avaliação é que o Banco Central manterá os juros inalterados, mas mudança em comunicado deixou chance de outro rumo para a Selic

Ilan Goldfajn
(Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

SÃO PAULO - A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de manter a Selic estável nesta quarta-feira (20) seguiu o que a maior parte do mercado já esperava, e foi acertada, mas o comunicado do Banco Central deixou o cenário bastante imprevisível para o encontro de agosto, avaliam os analistas consultados pelo InfoMoney.

Para o analista-chefe da Rico Investimentos, Roberto Indech, "é difícil fazer uma avaliação antecipada sobre a próxima reunião". Ele aponta diversos eventos, como o julgamento de liberdade do ex-presidente Lula, as tensões comerciais no exterior e até o cenário eleitoral como pontos que deverão ser monitorados e deverão ser levados em conta para a decisão de agosto.

Alguns analistas, porém, destacaram a mudança do comunicado do BC para indicar que a porta para uma possível alta de juros ficou aberta. No texto de hoje, foi retirada a frase "para as próximas reuniões, o Comitê vê como adequada a manutenção da taxa de juros no patamar corrente".

Para Luiz Castelli, economista da GO Associados, porém, o Copom sinalizou que deve manter os juros estáveis na próxima reunião. "Ele não demonstrou pressa para voltar a subir os juros. Isso porque os choques podem ser absorvidos pelas expectativas ancoradas e pela elevada ociosidade", explica.

Para ele, "fica explícito que o balanço de riscos hoje pende para aumento da inflação". "Por ora não há pressa para subir os juros, mas o viés é de alta em algum momento no futuro, caso o cenário continua evoluindo de forma desfavorável", afirma o economista.

A XP Investimentos reforça a visão de que os juros não deverão subir este ano, mas recomenda cautela já que o BC não deixou a porta aberta para subir as taxas. "O Banco Central tomou a decisão correta. Não vemos por ora necessidade de uma alta da Selic ainda este ano e, a depender da reputação do próximo time no BC, não seria necessário uma alta já no início de 2019. As incertezas, no entanto, recomendam cautela, sendo que o discurso do BC não fechou as portas para altas", disse a corretora em nota para clientes.

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Para Gustavo Cruz, economista da XP, um dos destaques foi o Copom "comentar sobre o impacto da paralisação dos caminhoneiros na inflação, o que ele julga ser transitório (nós concordamos), sinalizando calma para os investidores quanto a dinâmica para o restante do ano".

No comunicado, o Comitê afirmou que a greve dificultou a análise dos dados de inflação. "Indicadores referentes a maio e, possivelmente, junho deverão refletir os efeitos da referida paralisação. O cenário básico contempla continuidade do processo de recuperação da economia brasileira, em ritmo mais gradual", diz a nota.

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