Em mercados

Por que essa pode ser a semana mais importante do ano para a economia mundial

Analistas do Bank of America listaram grandes eventos que devem agitar a economia global

Angela Merkel e Donald Trump
(Bundesregierung/Jesco Denzel)

SÃO PAULO - A semana começa com um clima de tensão entre os investidores no mundo todo por conta de uma agenda recheada de eventos importantes que podem definir o futuro do mercado. Para os analistas do Bank of America esta será a "semana mais importante do ano para a economia global". E os grandes eventos já começaram a acontecer.

No Brasil, pesquisas eleitorais e prévia do PIB devem dar o tom, mas é no exterior que ocorrem os principais eventos, com a reunião entre Donald Trump e Kim Jong-un, e uma das reuniões do Fomc mais aguardadas do ano, em que pode ser definido quantas altas de juros ocorrerão em 2018.

Confira os eventos:

Segunda-feira
A semana começa com os investidores reagindo à nova pesquisa eleitoral feita pelo Datafolha, que não trouxe grandes novidades, com o ex-presidente Lula liderando as pesquisas e vencendo todos os adversários em um eventual segundo turno. Já nos cenários sem o petista, quem lidera a corrida é o deputado Jair Bolsonaro, em um empate técnico com Marina Silva (19% contra 15%). Geraldo Alckmin tem 6% das intenções num cenário com Lula, e 7% sem o petista, enquanto Ciro Gomes, aparece em terceiro, com 11% caso o ex-presidente não concorra.

Veja também: Lula cada vez menos candidato, Bolsonaro cristalizado no teto: 5 possíveis conclusões sobre as novas pesquisas

No cenário externo, o presidente Donald Trump voltou a deixar o clima tenso após declarações polêmicas sobre a reunião do G-7. Ele desmentiu a fala do primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, sobre um acordo para reduzir as barreiras tarifárias entre os países. Um comunicado conjunto, as maiores nações do mundo disseram compartilhar o comprometimento de promover a "ordem internacional baseada em regras". O texto destacava o "papel crucial das nações na luta pela redução de barreiras tarifárias, não-tarifárias e subsídios"

Porém, logo após o anúncio da Trudeau, Trump foi ao Twitter para desmentir a informação e ainda criticar o líder canadense. "Com base nas declarações falsas de Justin em sua coletiva de imprensa e no fato de que o Canadá está cobrando tarifas massivas dos fazendeiros, trabalhadores e companhias dos Estados Unidos, instruí nossos representantes a não endossarem o comunicado (do G-7) enquanto examinamos as tarifas sobre automóveis que inundam o mercado dos EUA!", escreveu o presidente norte-americano.

Terça-feira
O grande evento será a aguardada reunião entre Trump e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-Un, que ocorre na ilha de Sentosa, em Cingapura. Na semana passada, o presidente americano disse que previa "um grande sucesso" e que poderia até assinar um acordo com Kim para acabar com a Guerra das Coreias. Um acordo entre os dois pode ter impacto no humor dos mercado, e segundo alguns analistas, pode até dar um novo ânimo para o dólar.

Quer investir em ações pagando só R$ 0,80 de corretagem? Clique aqui e abra sua conta na Clear

Na Europa, a legislação para o Brexit da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, volta à Câmara Baixa do Congresso, após receber 15 emendas na Câmara alta. Os ministros de sua equipe vão tentar vencer muitas dessas derrotas. Entre os principais assuntos que serão debatidos, estão o poder do Parlamento sobre o acordo do Brexit e se o Reino Unido deve tentar permanecer em uma união alfandegária.

Quarta-feira
O principal evento da semana ocorre às 15h, com a decisão do Fomc. A expectativa é que a taxa de juro seja elevada em 0,25 ponto percentual, indo para o intervalo entre 1,75% e 2,0% ao ano. Apesar da queda do desemprego, da retomada da atividade e da alta do petróleo, o cenário mais provável ainda é o cenário com três subidas da taxa de juros no ano, mas este será o principal ponto a ser analisado nesta reunião, que contará ainda com uma coletiva do presidente Jerome Powell e relatório de revisão de projeções. Uma mudança neste cenário pode levar o mercado a começar a precificar quatro altas de juros.

Quinta-feira
A reunião do Banco Central Europeu deve levar a um anúncio do fim do programa de estímulos à economia com compra de títulos, que não deve ocorrer agora, mas deve ser o grande assunto a ser debatido, levando a um comunicado sinalizando algum novo movimento ao mercado. Pesquisa feita pela Bloomberg aponta que um terço dos economistas acredita que o presidente da autoridade monetária, Mario Draghi, vai definir uma data para o fim do programa, enquanto quase metade (46%) só vê mais detalhes após a reunião de julho.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o príncipe saudita Mohammed bin Salman, vão se encontrar na abertura da Copa Mundial da Rússia, um evento que pode afetar o mercado de petróleo. Há chances de avanço de conversas uma semana antes de reunião crucial da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em Viena.

Sexta-feira
O Banco do Japão também tem reunião esta semana, em que não deve ser anunciado um aperto na política monetária. O BC ainda está comprando uma quantidade grande de títulos do governo e deve continuar a fazer isso diante do recuo da economia no primeiro trimestre. Dia 15 também será o último dia para os EUA apresentarem a lista final de produtos chineses sujeitos a US$ 50 bilhões em tarifas.

No Brasil, o Banco Central apresenta os números do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado a prévia mensal do PIB (Produto Interno Bruto). A GO Associados projeta alta de 1,2% ante o mês de março, resultado que deve mostrar um bom início de segundo trimestre, devolvendo o fraco dado de fevereiro e março. Mas, é importante destacar que ainda não haverá o impacto da greve dos caminhoneiros neste indicador.

 

Contato