Em mercados

O que os dois maiores bancos do Brasil esperam para a economia depois da greve dos caminhoneiros?

PIB irá desacelerar, inflação subir, mas Selic ficará estável até o final do ano

Greve - caminhoneiros
(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

SÃO PAULO - Avaliando os impactos da paralisação dos caminhoneiros no desempenho da economia brasileira, que gerou uma crise de abastecimento em todo o País, os economistas do Itaú e do Bradesco reduziram a expectativa para o PIB (Produto Interno Bruto), com ambos esperando crescimento menor de 2% este ano, como também esperam uma inflação maior e o fortalecimento do dólar em 2018.

Entre os dois bancos, o corte mais drástico ficou por conta do Bradesco, que reduziu a expectativa de 2,5% para 1,5% e mostra-se mais pessimista com o rumo do Brasil. Além dos efeitos negativos da greve no ritmo da economia, a perspectiva de queda pelo lado do consumo por conta da valorização do dólar frente ao real, que neste ano registra valorização de 10%, como o aperto das condições financeiras em vista da elevação do Risco-País e o estresse causado na curva de juros futuros, justificam o corte da projeção.

Menos pessimista, mas também prevendo um crescimento menor do que 2% este ano, os economistas do Itaú reduziram a expectativa de crescimento do PIB de 2% para 1,7%. Segundo o banco, o efeito das paralisações no crescimento anual do PIB por ser decomposto em duas frentes que 'travam' a economia. A primeira está relacionada ao ritmo da oferta agregada, que na visão do banco não será compensada mesmo após a normalização do transporte. O segundo canal de impacto é via a queda da demanda agregada por conta da piora na confiança dos consumidores e empresários.

Do lado da inflação, os dois bancos também elevaram suas perspectivas por conta das manifestações, já que a paralisação de duas semanas gerou um caos no sistema de abastecimento de alimentos e combustíveis, implicando em maiores preços tanto no atacado como no varejo. O Bradesco revisou sua projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) este ano de 3,5% para 3,9%, justamente pelo impacto do aumento da gasolina, como pela depreciação cambial.

Não prevendo um impacto tão forte na economia, os economistas do Itaú apenar fizeram um pequeno ajuste na expectativa de inflação, subindo de 3,7% para 3,8%. Sobre os possíveis impactos da greve, o banco acredita que as paralisações devem provocar apenas uma pressão transitória na inflação, sendo que os preços devem seguir ancorados pelo nível elevado de ociosidade da economia.

Dólar e Selic

Com a recente escalada da moeda em vista dos riscos externos, mais precisamente a probabilidade do Fed acelerar o compasso de aumento dos juros, como do lado doméstico as incertezas quanto à aprovação das reformas e o quadro eleitoral ainda nebuloso, o Itaú elevou sua projeção para o dólar de R$ 3,50 para R$ 3,70 ao final deste ano.

"As incertezas advindas dos cenários internacional e doméstico (especialmente uma vez que a reforma da Previdência não foi aprovada) têm se mantido elevadas e podem permanecer assim ao longo dos próximos meses. Somam-se a isso o cenário de diferencial de juros muito baixo, diante do padrão histórico, e as incertezas associadas ao seu impacto total sobre o mercado cambial", justifica o banco.

Contrariando a lógica, desta vez o Bradesco está menos pessimista com o dólar e prevê que o câmbio encerre o ano em R$ 3,60. Entre as justificativas, além dos riscos externos advindos da expectativa de alta da taxa de juros pelo BC dos EUA, do lado doméstico pesa as incertezas remanescentes quanto à agenda de reformas, como a piora do quadro de crescimento do Brasil: "as principais consequências econômicas de um real mais depreciado no curto prazo são alguma pressão na inflação e um efeito contracionista no PIB", conclui o banco.

Apesar de tudo isso, ambos os bancos não acreditam em uma alta da Selic por enquanto, mantendo a projeção em 6,5% até o fim do ano. Ao contrário do que o mercado precificada nesta semana e corroborando a fala do BC, para o Bradesco a forte alta do câmbio não irá interferir na política monetária neste momento, já que a economia segue ociosa e deverá ser conservado o regime de metas de inflação, que ainda segue comportada.

 

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