Em mercados

Metal que brilha até agora no ano tem um futuro "sombrio" no radar

Preços crescentes do níquel estão estimulando o aumento da oferta da Indonésia e da China

Mina de níquel na Nova Caledônia - mineração - Vale
(Agência Vale)

(Bloomberg) -- O níquel, que registra o melhor desempenho entre os metais de base neste ano, deverá cair porque os preços crescentes estão estimulando o aumento da oferta da Indonésia e da China, segundo a empresa de pesquisa Shanghai Metals Market.

O metal subiu 15 por cento neste ano, chegando perto do nível mais alto desde 2015, o que torna altamente lucrativa a produção de ferro-gusa de níquel, ou nickel pig iron (NPI), um insumo alternativo para a indústria de aço inoxidável, disse o chefe de negócios internacionais Ian Roper. Os preços poderiam cair um quinto em relação ao custo da produção de NPI, disse Roper, que também trabalhou para a Macquarie Group.

O níquel recebeu impulso neste ano em parte pelo otimismo equivocado em torno do momento em que ocorrerá um grande impulso na demanda gerado pelos veículos de nova energia, disse Roper, por telefone, de Cingapura. O metal estava em US$ 14.625 a tonelada na terça-feira.

“A história de destaque no ramo dos metais, para mim, é essa desconexão entre o níquel da LME e o mercado de NPI”, disse Roper, em referência à Bolsa de Metais de Londres. “Durante oito anos, foi o NPI que definiu os preços do níquel, mas desde novembro são baterias, baterias e baterias. Agora as margens do NPI estão enormes na China, todos estão acelerando o máximo que podem, e isso ocorre antes mesmo de o minério da Indonésia acelerar. Teremos uma enxurrada de unidades de níquel.”

A produção diária de ferro-gusa de níquel da China atingiu o maior nível em cinco meses em abril e, em uma base mensal, a produção subiu mais de 40 por cento em relação ao ano anterior, segundo a trading Grand Flow Resources. A Indonésia também está ampliando a produção de ferro-gusa de níquel e até mesmo as remessas de minério bruto do país vêm aumentando.

O níquel subiu mais de 60 por cento nos últimos dois anos, avançando juntamente com a maioria dos metais, com a recuperação global da demanda, com a expansão da indústria de aço inoxidável chinesa e com o crescimento mais lento da oferta. A perspectiva de expansão da demanda pelo tipo de níquel usado em baterias de veículos elétricos também elevou os preços. Os estoques dos armazéns da LME atingiram o nível mais baixo desde 2014.

O níquel para baterias ainda não é um mercado grande o suficiente para impulsionar os preços, disse Roper, e o mundo tem níquel demais, com 150.000 toneladas além da oferta de NPI que chegará neste ano. “A China importará menos níquel refinado, o que o libera para retornar à LME, o que interromperia o declínio do níquel refinado, que é o principal fator que os otimistas vêm destacando”, disse Roper, na semana passada.

Outros pontos levantados por Roper:

- as condições da demanda por commodities na China estão melhorando amplamente. Os números imobiliários estão razoavelmente fortes em termos de novos começos e construções. “Estou menos pessimista agora em relação ao segundo semestre, e acho que a demanda vai se sair muito bem.”;

- a demanda por aço da China parece bastante sólida; o alumínio continua “com um terrível excesso de oferta”, sem escassez na China ou no exterior;

- as taxas de tratamento do zinco sugerem um mercado apertado, mas ainda há “um pouco de zinco por aí, mantido fora das bolsas por pessoas que estão aguardando um pico final do preço antes da chegada de uma oferta maior de concentrado”.

 

 

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