Em mercados

Fitch rebaixa rating do Brasil de BB para BB- com perspectiva estável

Em relatório, a agência destacou que a decisão de adiar a reforma da Previdência para depois das eleições foi um importante revés para a nota

Fitch Ratings

SÃO PAULO - A agência de rating Fitch rebaixou a nota do Brasil de 'BB' para 'BB-' nesta sexta-feira (23), mas elevou a perspectiva de negativa para estável. Em relatório, a agência destacou que a decisão de adiar a reforma da Previdência para depois das eleições foi um importante revés para a nota.

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No dia 11 de janeiro, a Standard&Poor's já tinha rebaixado a nota do Brasil de "BB" para "BB-", em meio às dificuldades do governo para conseguir a aprovação da reforma da Previdência. No último dia 20, a própria Fitch já tinha alertado que o fracasso em aprovar a reforma da Previdência pressionava para o rebaixamento do rating soberano do Brasil.

A Fitch destacou em relatório o fracasso com as reformas legislativas como um peso para a decisão de rebaixar o País. "O downgrade reflete persistentes e grandes déficits fiscais, um alto e crescente fardo da dívida pública e a falta de legislação sobre reformas que melhorariam o desempenho estrutural das finanças públicas", diz a agência em nota.

"A decisão do governo de não colocar a reforma da Previdência em votação no Congresso representa um importante revés na agenda de reformas que mina a confiança na trajetória de médio prazo das finanças públicas e no compromisso político de abordar a questão", afirma a Fitch.

Além disso, a agência ressalta por conta das eleições de outubro, a reforma deve ficar apenas para o fim do ano ou 2019, sendo que há grandes incertezas de que a próxima administração poderá obter sua aprovação em tempo hábil.

"Os déficits fiscais do Brasil permanecem grandes e espera-se que diminuam gradualmente. O governo ultrapassou o objetivo de déficit primário para 2017. No entanto, o déficit do governo atingiu mais de 8% do PIB em 2017 (em comparação com 3% da mediana do países "BB") e a Fitch prevê que o déficit atinja pouco mais de 7% do PIB entre 2018 e 2019', diz o documento.

O ambiente político desafiador prejudicou a capacidade do governo para garantir a aprovação do Congresso e promulgar medidas de receitas e gastos destinadas a consolidar as contas fiscais em 2018", ressalta a agência.

"Embora uma recuperação econômica cíclica e receitas extraoridnárias possam contribuir para atingir o objetivo de déficit primário de 2018, a incapacidade de passar por medidas estruturais evidencia o contínuo mal-estar político e seu impacto negativo na política fiscal", conclui a Fitch.

 

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