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Após downgrade da S&P, Moody's diz que Brasil fracassou em conter despesas e descumprirá "regra de ouro"

Na avaliação da instituição, o aumento de gastos obrigatórios obrigaria o Brasil a pegar empréstimos para financiar despesas correntes neste ano ou no próximo

Henrique Meirelles
(José Cruz/Agência Brasil)

SÃO PAULO - Quatro dias após a Standard & Poor's rebaixar a nota de crédito do Brasil de BB para BB-, a agência de classificação de risco Moody's divulgou, nesta segunda-feira (15), um relatório afirmando que o país não deve conseguir cumprir a chamada "regra de ouro" da Lei de Responsabilidade Fiscal, o que pressionaria sua situação fiscal e rating.

Na avaliação da instituição, o aumento de gastos obrigatórios obrigaria o Brasil a pegar empréstimos para financiar despesas correntes neste ano ou no próximo. A Moody's alerta para o fato de ser a primeira vez que o país precisará recorrer a tal saída desde que a "regra de ouro" foi implementada. É possível que isso não tenha que ocorrer em 2018, em função da devolução de até R$ 130 bilhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ao Tesouro, mas o risco para o ano seguinte é elevado.

"A necessidade do governo de flexibilizar a regra, apesar de um cenário econômico mais benigno (o PIB deve crescer 2,5% em 2018, em comparação com 0,6% estimado para 2017), nos leva a esperar que o governo brasileiro vai enfrentar uma piora fiscal persistente e uma elevada necessidade de financiamento nos próximos anos", observa a equipe de análise da agência em documento assinado por Anna Snyder e Samar Maziad. Para elas, o governo fracassou em controlar o crescimento das despesas obrigatórias.

O governo chegou a ensaiar discutir tal questão no início do ano, mas logo voltou atrás devido às reações negativas sobretudo no mercado. "Apesar da tentativa do governo de suspender as discussões sobre eliminar a regra agora, a grande possibilidade de que ela será quebrada é negativa para o crédito do país, evidenciando as difíceis pressões fiscais que as autoridades enfrentam", observou a equipe de análise da Moody's. Nos critérios da agência, o Brasil tem rating Ba2, dois níveis abaixo do grau de investimento. Em meio aos adiamentos na votação para a reforma da Previdência, a instituição mantém ceticismo em relação às condições de o governo aprovar tal medida.

 

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