Em mercados

Ibovespa Futuro abre em baixa; dólar e DIs caem após "stress" com ajuste fiscal

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.

Bolsa de valores
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa Futuro abriu a última sessão da semana em baixa, indicando uma possível sessão de perdas no mercado acionário doméstico, em dia de votação importante no Congresso dos EUA e preocupações domésticas quanto à reforma da Previdência e a situação das contas públicas. Nesta quinta-feira (23), em uma sessão bastante volátil, o benchmark da bolsa brasileira fechou praticamente estável, com alta de 0,1%, aos 65.530 pontos.

No radar dos investidores neste pregão estão a nota do setor externo do BC, às 10h30, com dados de importações e exportações e o IDP (Investimento Direto no País), falas de presidentes regionais do Fed e dados de petróleo nos EUA. Além disso, o mercado deve digerir a confirmação de alta de impostos feita pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em entrevista ao SBT na véspera.

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Às 9h03, os contratos futuros do índice com vencimento em abril registravam recuo de 0,49%, aos 63.585 pontos. Após alta na véspera, em meio a preocupações quanto ao avanço da reforma da Previdência no Congresso, dólar e juros operam em baixo. No mesmo horário, os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 registravam queda de 1 ponto-base, a 9,97%, enquanto os DIs com vencimento em janeiro de 2021 perdiam 3 pontos-base, a 10,01%. Os contratos de dólar futuro com vencimento em abril deste ano oscilavam perto da estabilidade, apontando retração de 0,06%, a R$ 3,146. 

 Veja ao que se atentar neste pregão:

Bolsas mundiais
 As bolsas mundiais oscilam entre leves perdas e ganhos enquanto aguardam votação do projeto sobre saúde nos EUA, que ficou para esta sexta e deve testar a força de Donald Trump para implementar suas políticas. Além disso, a agenda americana também pode afetar mercado, com fala de dirigentes do Fed e dados de bens duráveis.
Enquanto isso, na Europa, o mercado também digere os dados econômicos do continente. O PMI industrial da Alemanha subiu ao maior nível em 71 meses, a 58,3, enquanto o dos serviços foi a 55,6, no patamar mais elevado em 15 meses. O PMI da zona do euro, por sua vez, subiu a 56,7 em março, de 56 em fevereiro, atingindo o maior nível desde abril de 2011, segundo dados preliminares publicados hoje pela IHS Markit.

Na Ásia, os mercados acionários chineses avançaram diante dos fortes ganhos no setor de infraestrutura, que compensaram as preocupações com o aperto da liquidez no sistema bancário do país, o aumento da regulamentação e novas restrições ao investimento imobiliário.  Os investidores na China estão divididos entre dados que mostram uma economia resiliente e temores de que o aperto esperado da política monetária, embora gradual, acabará resultando em maiores custos de empréstimos e atraso nas atividades empresariais. No mercado de commodities, o minério de ferro cai na China dando continuidade a correção
da alta recente, enquanto o petróleo tem leve alta e interrompe queda de quatro dias com mercado atento a encontro da representantes da Opep este fim de semana. 

Às 8h13, este era o desempenho dos principais índices:

*FTSE 100 (Reino Unido) -0,15%

*CAC-40 (França) -0,55%

*DAX (Alemanha) -0,21%

*Xangai (China) +0,63% (fechado)

*Hang Seng (Hong Kong) +0,13% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,93% (fechado)

*Petróleo brent +0,44%, a US$ 50,78 o barril

*Petróleo WTI +0,55%, a US$ 47,96 o barril

*Minério de ferro negociado com 62% de pureza no porto chinês de Qingdao -1,50%, a US$ 85,06 a tonelada

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -0,51%, a 581 iuanes

Agenda
O destaque doméstico é a divulgação da nota do setor externo do BC, às 10h30, com dados de importações e exportações e o IDP (Investimento Direto no País). Nos Estados Unidos, as atenções se voltam para as falas dos presidentes regionais do Fed, Charles Evans, de Chicago, às 9h, e James Bullard, de Saint Louis, às 10h05. Entre os indicadores, atenção para as encomendas de bens duráveis de fevereiro, às 9h30, o PMI Industrial de março, às 10h45, e o indicador de perfuração de poços de março, às 14h. 

Ainda nos Estados Unidos, os investidores digerem o adiamento da votação da reforma do sistema de saúde conhecido como Obamacare de ontem para hoje. Este é o primeiro grande teste do presidente Donald Trump no Congresso norte-americano. As bolsas mundiais já haviam registrado perdas em meio a preocupações de que o republicano não tenha apoio suficiente entre parlamentares para entregar também suas promessas na área econômica. 

Meirelles crava alta de imposto
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, cravou na quinta-feira à noite, em entrevista ao SBT, que o governo elevará impostos para cumprir a meta fiscal deste ano. Ele também deixou a porta aberta para a fixação de uma meta de inflação menor ou de uma banda de tolerância também mais estreita caso haja a avaliação de que isso não forçará o Banco Central a ser mais duro em relação aos juros. O  ministro afirmou que uma parte do rombo de R$ 58,2 bilhões  para o cumprimento da meta de déficit primário deste ano será coberto com aumento de impostos já existentes. "Uma parte dessa diferença será cumprida com mais cortes de gastos e uma parte será aumento de impostos", disse ele, citando, por exemplo, PIS/Cofins e a reoneração de algumas isenções fiscais que foram concedidas e que não tiveram efeito produtivo segundo ele, como desonerações a alguns setores.

De acordo com o jornal O Globo, o governo pode mudar cálculo de precatórios para reduzir rombo fiscal, em medida proposta pela equipe da ex-presidente Dilma Rousseff. A ideia geral é que recursos destinados ao pagamento de precatórios que estejam parados nos bancos há mais de quatro anos não sejam contabilizados como despesas primárias e ajudem na realização da meta, diz jornal.

Na agenda do dia, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, tem reunião com Gabriel Srour, diretor da Gávea Investimentos, com Marcelo Mendes de Castro, diretor da BBM Investimentos, almoça com membros da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas e ministra aula inaugural do Curso de Economia da Escola de Pós- Graduação em Economia da FGV, tem reunião com Arlindo Vergaças, diretor-executivo da JGP Gestão de Recursos, e com
Daniel Geller, senior-vice-president da Morgan Stanley, todos os compromissos no Rio de Janeiro. Já Meirelles se reúne com o presidente da CNI, Robson Braga, 10h00, com deputado federal Mauro Pereira (PMDB-RS) e empresários do setor de viticultura e de metalurgia, 11h30 e 12h00, e com o piloto de Fórmula 1 Felipe Nasr, 15h00. Temer participa de cerimônia de entrega de unidades habitacionais em São José do Rio Preto, 10h30. 

Noticiário político
Novas revelações sobre o conteúdo do depoimento de Marcelo Odebrecht ao TSE repercutem em Brasília. Odebrecht afirmou que “inventou” a campanha de reeleição da presidente cassada Dilma Rousseff, em 2014. “A campanha presidencial de 2014, ela foi inventada primeiro por mim, tá?”, disse Marcelo ao ser questionado sobre sua relação com a reeleição de Dilma. “Os valores (de doações) foram definidos por mim”, completou. O empresário ainda afirmou que “não tem a menor dúvida” de que Dilma tinha conhecimento do pagamento de despesas de campanha com recursos de caixa 2, o que é negado pela ex-presidente. Confira a matéria completa clicando aqui. 

Apesar dessas revelações, segundo a Folha de S. Paulo, os adversários do PT não comemoram. Eles consideram que esses depoimentos contra Dilma e Lula apenas como petisco do que ainda virá, atingindo outras cabeças estreladas de Brasília.

Noticiário corporativo
As blue chips estão em destaque no radar. A Petrobras informou que o membro efetivo do Conselho Fiscal, Paulo José dos Reis Souza, renunciou ao cargo, com efeitos a partir de 27 de março. A companhia teve recomendação elevada pelo SocGen, com preço-alvo de R$ 11,50. Já de acordo com o jornal O Globo, a Vale definirá o presidente na próxima semana e, em meio a rumores, o presidente do BB Paulo negou que queira assumir a mineradora. Já o conselho de administração da Usiminas mudou o comando da companhia pela segunda vez em um ano, ao afastar o presidente-executivo e promover Sérgio Leite, da diretoria comercial, para o comando da produtora de aço, afirmaram três fontes com conhecimento do assunto à Reuters.

Em destaque no radar de balanços, a  Cyrela encerrou o quarto trimestre de 2016 com lucro líquido de R$ 31 milhões, uma queda de 68,4% ante o mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano, a companhia registrou lucro de R$ 151 milhões, com redução de 66,2%. Já a Gafisa apresentou um prejuízo líquido consolidado de R$ 999,3 milhões no quarto trimestre de 2016, revertendo o lucro líquido consolidado de R$ 826 mil registrado no mesmo período de 2015. A Helbor, por sua vez, reverteu o lucro líquido obtido em 2015 e teve prejuízo líquido de R$ 103,21 milhões no ano passado. (Com Reuters, Agência Estado e Bloomberg) 

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.

 

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