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De manifestações de rua a nova meta de inflação: BofA lista o "Top 10 Brasil" de 2017

O banco dos Estados Unidos listou os destaques da economia e da política no ano

Bank of America
(Reuters)

SÃO PAULO - O banco norte-americano Bank of America Merrill Lynch apontou, em relatório enviado a clientes, os dez principais fatores políticos, econômicos e sociais a que investidores devem se atentar no Brasil neste ano. Os destaques ficam com a tramitação do ajuste fiscal no Congresso, os sinais da retomada da economia e processos judiciais e investigações que podem desestabilizar o cenário político em Brasília. Veja os destaques abaixo:

1. Reforma da Previdência
A aprovação de uma reforma da Previdência "abrangente" é chave para que o crescimento dos gastos públicos se encaixar no texto estabelecido pelo governo e para a continuidade do ajuste fiscal. "Esperamos que as discussões no Congresso diluam os termos originais da proposta, especialmente no que tange a idade mínima para aposentadoria", diz o texto. O banco estima que a votação final ocorra no terceiro trimestre de 2017. 

2. Renegociação da dívida dos Estados
O BofA projeta que novos termos para renegociação das dívidas dos Estados sejam apresentados pelo governo federal em fevereiro, após o presidente Michel Temer vetar trechos do projeto aprovado na Câmara dos Deputados em 2016 que isentava os governadores de cumprir contrapartidas em troca do alívio na dívida  com a União. "Isso é positivo por sinalizar um compromisso forte do governo em forçar um ajuste fiscal no nível estadual também", diz o relatório

3. Operação Lava Jato 
As investigações e a delação premiada da Odebrecht envolvendo cerca de 200 políticos, muitos deles com ligações próximas ao governo, devem manter o cenário político volátil e afetar a governabilidade do governo Temer, diz o banco. 

4. Processo da chapa Dilma-Temer no TSE
O relatório aponta que o relator do processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já sinalizou que pode apresentar seu relatório em fevereiro, mas que a inclusão de informações oriundas de novas delações premiadas pode atrasar a tramitação. Se isso de fato ocorrer, destaca o BofA, o resultado final pode ser influenciada pela substituição de três ministros até outubro. 

5. Crescimento da economia
A retomada mais rápida do crescimento segue em risco em meio à estagnação na melhora dos índices de confiança e da queda nos investimentos. "A incerteza política inibe e adia decisões de investimento, limitando a recuperação da economia", afirma o banco norte-americano, que projeta que o desemprego atinja um pico no segundo trimestre de 2017, com as condições de crédito ainda restritas. O crescimento deve ganhar força apenas no segundo semestre deste ano, refletindo as discussões da reforma previdenciária e a queda dos juros, projeta o Bank of America.

6. Popularidade do governo
A fraqueza da atividade econômica, em meio às impopulares medidas de ajuste fiscal e aos vazamentos da operação Lava Jato devem manter a popularidade do governo Temer em baixa.

7. Manifestações
O fraco crescimento e a agenda de ajustes fiscais podem levar a "tensões sociais", com aumento do risco de protestos se espalhando pelo País. "Sindicatos estão organizando dois protestos para o fim de janeiro", observa o relatório.

8. Ajuste externo
A esperada retomada do mercado interno “dos níveis extremamente baixos de 2015 e 2016” deve desacelerar o ajuste externo, segundo o banco. O Bofa projeta “uma piora marginal da balança de pagamentos em relação a 2016”, na medida em que as importações devem se recuperar e o acréscimo nas exportações deve ser limitado pela fraqueza da demanda global. O banco no entanto considera que haverá uma depreciação adicional do real que limitará a deterioração da conta corrente, que deve registrar um déficit mais brando, de 1% do PIB (Produto Interno Bruto), ante rombos maiores, da ordem de 3% do PIB, de anos anteriores.

9. Inflação
O BofA considera que o “forte comprometimento” do BC (Banco Central) em levar a inflação para o centro da meta, de 4,5%, resultou na ancoragem das expectativas inflacionárias. Os analistas projetam a inflação em 4,7% em 2017 e em 4,4% em 2018. “Em um cenário tão benigno, o foco se volta para a reunião do CMN (Conselho Monetário Nacional) de junho, em que deve decidir a meta de inflação para 2019 e reafirmar a de 2018”, diz o relatório. Segundo a instituição, o avanço nas reformas de impacto estrutural, como da previdência e o teto dos gastos públicos, permitem discutir a possibilidade de reduzir a meta de inflação para níveis próximos aos de países comparáveis ao Brasil.

10. Juros
Com o cenário favorável para a inflação, o ciclo de afrouxamento monetário deve ser antecipado, como sinalizou o aumento do ritmo de redução dos juros básicos de 25 para 75 pontos-base entre as reuniões de novembro de janeiro. “Esperamos um corte total de 400 pontos-base em 2017, com a Selic terminando o ano em 9,75%”, diz o texto.

 

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