Em mercados

Ilan mostra a que veio: as falas do novo presidente do BC que agitaram o mercado nesta terça

Mercado de dólar e de juros futuros acompanharam fala do presidente do BC, que sinalizou postergação do corte de juros e reiterou apreciar câmbio flutuante

Ilan Goldfajn
(Wilson Dias/ Agência Brasil)

SÃO PAULO - A primeira entrevista de Ilan Goldfajn no comando do Banco Central pós-Relatório Trimestral de Inflação, no final da manhã desta terça-feira (28), movimentou os mercados e já mostrou a que o novo presidente da autoridade monetária veio.

Se o RTI já apontou para um tom mais hawkish (duro) sobre a inflação, o que fez com que as principais taxas dos juros futuros subissem fortemente, o cenário foi reforçado com a entrevista de Goldfajn, que reforçou que IPCA de 4,5% é o objetivo para 2017 e descarta adotar meta ajustada. Isso sinalizou que o corte de juros pelo Copom (Comitê de Política Monetária) pode acontecer depois do que os investidores estavam esperando. O mercado ainda aponta para corte da Selic, atualmente em 14,25% ao ano, no segundo semestre, mas passou a considerar atuação neste sentido só em agosto, enquanto há quem avalie que não haverá corte de juros este ano.

Porém, com Ilan Goldfajn destacando que é possível atingir a meta de inflação em 2017 e reiterando que o BC "não está sozinho" (ou seja, sem a ajuda do fiscal), uma vez que a "equipe econômica está trabalhando com coerência" e coesão, a expectativa é de que a Selic possa cair num prazo maior, o que impactou os contratos com vencimentos mais longos, que tiveram queda nas taxas. 

Com isso, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2017 (ou seja, vencimento mais curto) subiu 19 pontos-base nesta sessão, fechando a 13,84%, enquanto o contrato com vencimento em janeiro de 2018 teve alta de 15 pontos-base, para 12,69%. Já os contratos mais longos apresentaram queda: o contrato com vencimento para janeiro de 2021 teve queda de 15 pontos-base, para 12,08%. 

As frases de Ilan que movimentaram o mercado de DI hoje 

“O ano de 2015 foi de choque, inflação muito elevada, em parte devido à depreciação forte [do real], a inflação de [preços] administrados muito forte. Desde então, o objetivo do regime de metas tem sido fazer a convergência de volta para o centro da meta”

"Não há necessidade de se ter uma meta de inflação ajustada"

 “Todos esperamos que as condições se apresentem para flexibilização das condições monetária. A projeção mostra que estamos muito perto da meta para 2017"

 "Objetivo do regime de metas é cumprir plenamente meta de inflação, mirando ponto central"

"O centro da meta em 2017 é (meta) ambiciosa e crível ao mesmo tempo"

 "Movimento de redução dos juros básicos tem de ser feito de forma responsável"

Dólar
Reforçando o tom duro, Ilan descartou qualquer possibilidade da instituição adotar um ajuste da meta de inflação do ano que vem. "Mesmo neste caso, a magnitude do desvio não necessita ajustar a meta. Para deixar claro: a meta de 4,50% em 2017 é o nosso objetivo". O BC, no relatório de inflação, projetou IPCA em 4,7% em 2017, ainda acima do centro da meta, o que contrariou a ata do último Copom comandado por Alexandre Tombini, que cravou a inflação em 4,5%. Desta forma, o novo BC ainda vê a inflação acima do seu objetivo. 

O câmbio também se movimentou bastante nesta sessão; além da fala que indicou postergação do corte de juros, o que deve atrair mais capital para o Brasil, Ilan Goldfajn leu novamente trecho do discurso de posse, que afirmou continuar válido: "o BC aprecia regime de câmbio flutuante dentro do tripé macroeconômico". Mas ressaltou que, uma vez dito isso, poderá usar todas as ferramentas que dispõe, mas dentro do regime, para reduzir swap quando e se for possível. Durante a fala de Ilan, o dólar saiu da casa dos R$ 3,34 para R$ 3,31, atingindo a mínima por volta das 13h, aos R$ 3,30. 

O cenário externo também ajudou, em meio às expectativas de que os Bancos Centrais pelo mundo vão atuar para evitar uma derrocada econômica após dois dias de sell-off com o Brexit. Com isso, o dólar futuro com vencimento em julho registrou queda de 2,63%, a R$ 3,307, enquanto para agosto teve queda de 2,69%, a R$ 3,332. O dólar comercial fechou em baixa 2,61%, a R$ 3,3045 na compra e R$ 3,306 na venda, fechando na casa dos R$ 3,30 pela primeira vez em quase um ano. 

Confira abaixo as falas de Ilan sobre o dólar - e que acentuaram a queda da moeda:  

"O BC aprecia regime de câmbio flutuante dentro do tripé macroeconômico"

"Temos dois objetivos: manter o regime de câmbio flutuando e, ao mesmo tempo, encontrar uma janela de oportunidade para continuar reduzindo o estoque de swap [operação de câmbio no mercado futuro], quando e se for possível”

 

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