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Em mercados

Confira as 6 ações que vão fazer você ganhar dinheiro com a Selic em queda

Veja os principais ativos que têm muito a ganhar com uma queda na taxa de juros sob a gestão Temer

Investimentos
(Shutterstock)

SÃO PAULO - A chegada de Michel Temer na presidência deve acarretar uma série de mudanças na economia brasileira, desde um sentimento mais otimista até mudanças na política econômica. Entre as principais expectativas está a chegada de Henrique Meirelles para o ministério da Fazenda e uma política monetária na qual os juros devam ser cortados ainda este ano, principalmente se o presidente do Banco Central for mesmo Ilan Goldfajn. De perfil considerado mais "dovish" (mais propenso a cortar juros), o economista-chefe do Itaú Unibanco já deixou claro que espera grandes cortes na Selic. 

Caso este cenário de redução da taxa básica da economia brasileira ocorra, uma série de ações na Bolsa teria muito o que comemorar.

Um exemplo é o das empresas que devem muito dinheiro para seus credores. Se juros baixos são bons para (quase) todo mundo, aquelas empresas mais endividadas, principalmente se for em CDI (Certificado de Depósito Interbancário - uma taxa de ajuste diário que segue de perto a Selic), ganham muito mais, já que reduzem substancialmente os seus gastos com o pagamento da dívida. Sob a lógica do acionista, que só quer que a empresa em que investe lucre mais e de maneira mais sustentável, basta lembrar que a despesa financeira é uma das últimas linhas do balanço antes do lucro. Ou seja, caindo a dívida, melhora o resultado da firma e ela pode distribuir mais dividendos. 

Neste cenário, fica difícil não lembrar da Rumo Logística (RUMO3), que, como aponta o Santander em relatório, ganhou uma folga de caixa para lidar com obrigações de curto prazo graças ao aumento de capital de R$ 2,6 bilhões finalizado em abril. "O alto endividamento deve se traduzir em menores despesas financeiras num futuro próximo uma vez que a queda da Selic se concretize, gerando maior valor para os acionistas", explicam os analistas Leonardo Milane e Ricardo Peretti. 

Quem também acredita no case é João Luiz Braga, gestor de Renda Variável da XP Investimentos. "A empresa acabou de ter uma capitalização. Resolveu bem o risco de dar errado", afirma. 

Braga diz que além dela e dessas companhias endividadas, o momento atual é ótimo para olhar para aquelas empresas que possuem fluxos de caixa previsíveis. A lógica está na fórmula fundamental para precificar uma ação e que está na base da análise fundamentalista: o cálculo do valor presente da empresa na perpetuidade. Para calcular o quanto uma empresa vale na perpetuidade, é preciso estimar o fluxo de caixa dela em um determinado ano e dividí-lo por uma taxa de desconto subtraída pelo crescimento esperado do fluxo de caixa (g). Como esta taxa de desconto é o denominador desta operação, quanto menor ele for, maior o valor da empresa na perpetuidade. E a taxa depende justamente de quem? Da Selic. 

Dentre as empresas neste contexto, o gestor da XP diz que Transmissão Paulista (TRPL4) é a sua aposta. "É uma empresa de transmissão de energia, um negócio que não tem risco de volume, então o fluxo de caixa é previsível e uma queda nos juros faz o valor presente subir imediatamente", explica. Ele afirma que a maior posição da XP está nessa companhia e que vê um preço-alvo para ela de R$ 90,00 caso caiam os juros. Atualmente, o preço da ação da Transmissão Paulista é R$ 60,70. 

Por fim, é possível ganhar dinheiro com as concessionárias - caso da Ecorodovias (ECOR3) e CCR (CCRO3) - e as administradoras de shoppings - como BR Malls (BRML3) e Multiplan (MULT3) -, o benefício ocorre porque estas empresas precisam operar alavancadas, e com isso, um corte da Selic torna mais barata a sua dívida e aumenta a atratividade de seu investimento. Isso porque como historicamente elas possuem uma TIR (Taxa Interna de Retorno) elevada, essa alta alavancagem acaba não trazendo tanto problema - dado que elas ganham com essa gordura do "spread" entre TIR e Selic. Quanto mais diminui a Selic, maior fica essa gordura do "spread", ou seja, mais atrativas ficam aos olhos dos investidores.

"As empresas ligadas a shopping centers têm um fluxo de recebíveis ligado à taxa pré de longo prazo", diz Flávio Conde, analista da consultoria independente WhatsCall. Em um momento de queda da Selic, receber em taxa prefixada e pagar em posfixada é uma boa forma de lucrar. 

No caso das concessionárias, Conde diz acreditar que elas vão se beneficiar não só da queda da Selic, mas também de um aumento das concessões de obras à iniciativa privada que ele acredita que vai ocorrer durante a gestão Temer. 

O leitor também pode ter ouvido falar que as imobiliárias ganham com a Selic em baixa, já que é um setor em que quase todos os negócios são fechados a prazo e a queda dos juros torna os imóveis mais baratos para o consumidor. Contudo, os analistas ouvidos para esta reportagem foram unânimes em alertar que mesmo com esse benefício, o setor já sofreu muito nos últimos anos e os estoques continuam muito altos. "Tem muito imóvel para vender ainda", lembra Braga. 

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