Em mercados

Por que a Bolsa "largou" a política, enquanto dólar e DIs seguem no rali do impeachment?

Mercado parece confuso? Entenda o que faz com que o câmbio e os juros repercutam os boatos sobre Temer mais do que as ações

Investidor confuso
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Em uma tendência que vem da semana passada, a Bolsa decidiu nesta segunda-feira (25), "ignorar" o noticiário político e refletir o que ocorria no cenário externo. Commodities entraram no lugar das articulações do impeachment no Senado e a Bolsa caiu puxada principalmente por Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3; VALE5). Isso ao mesmo tempo em que o dólar e os contratos futuros de DI recuaram justamente por que? Por causa da política. Como explicar isso?

Para o trader da Daycoval Investimentos, Daniel Ximenes Almeida, a Bovespa passa por uma realização dos ganhos de março e começo de abril, que teriam sido exagerados. O que potencializou essa realização foi a forte queda das commodities. O minério de ferro com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao caiu 0,39% a US$ 66,07 hoje, pressionando não só a Vale como também as ações de outras mineradoras internacionais como Rio Tinto e BHP Billiton. Já no caso do petróleo, o barril do Brent recuava 1,53% a US$ 44,38. 

Por outro lado, o dólar voltou a refletir o cenário político, mantendo-se na tendência de queda por conta do aumento das chances de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Segundo Ricardo Kim, analista da XP Investimentos, um fator que pesou foi que o câmbio sentiu falta das intervenções que o Banco Central vinha fazendo. "O movimento do dólar realmente está estranho. O Banco Central não fez intervenção hoje como vinha fazendo nas últimas semanas. Pode ser uma correção em função disso, mas não há como ter certeza", avalia. 

A questão do movimento do dólar e do DI também envolve o fato de que estes ativos são mais sensiveis às possíveis mudanças no comando do Banco Central e dos ministérios da Fazenda e Planejamento, por exemplo, em um eventual governo de Michel Temer. Diante disso, os recentes rumores sobre os nomes que poderiam assumir estas pastas acaba impactando as cotações destes dois ativos. 

"A Bolsa largou a política porque subiu muito no curto prazo, mas talvez o dólar e o DI possam ter uma reação ainda mais relevante com a possível relação de nomes à Fazenda", diz o analista da Leme Investimentos João Pedro Brugger. No caso da Bolsa, para que a política volte a ter grande efeito seria necessário alguma novidade mais consistente ou uma definição mais clara sobre nomes e mudanças no governo.

Isso fica mais claro no caso dos juros. Se o Ministério da Fazenda for para as mãos de alguém mais austero, que queira cortar gastos e reduzir o endividamento público, o ajuste monetário será menos necessário. Com a inflação desacelerando nos últimos tempos, isso significa que novos cortes de juros virão. O movimento das taxas hoje mostrou exatamente isso. 

Portanto, o mercado não abandonou a política depois que o impeachment da presidente Dilma Rousseff foi aprovado na Câmara dos Deputados. O noticiário político ainda faz preço, mas ele deve impactar mais câmbio e juros do que Bolsa, que já aproveitou demais do rali. As maquinações de Michel Temer sobre um novo ministro da Fazenda devem ser acompanhadas de perto, principalmente para quem acompanha o mercado de juros futuros. 

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