Em mercados

Ministro chama política econômica no 1º mandato de "keynesianismo vulgar"

"O recurso às políticas contracíclicas, ao keynesianismo vulgar, adiou o dia da conta e do castigo, mas acabou apenas por agravar o problema que agora temos de resolver", disse o Mangabeira Unger

Mangabeira Unger
(Wikimedia Commons)

O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, fez nesta quinta-feira, 9, duras críticas à política econômica conduzida no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Na avaliação do ministro, o modelo anterior de crescimento, ancorado na expansão de crédito, consumo e renda, "exauriu o seu potencial".

"O recurso às políticas contracíclicas, ao keynesianismo vulgar, adiou o dia da conta e do castigo, mas acabou apenas por agravar o problema que agora temos de resolver: agora, sim, precisa de um ajuste, mas precisamos compreender qual ajuste", disse o ministro, durante a cerimônia de posse do novo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Jessé de Souza.

"(Esse modelo) não serve mais como nosso caminho de avanço. Não é apenas porque o dinheiro fácil escasseou no mundo e porque os preços das commodities baixaram e porque a economia chinesa desacelerou. É sobretudo porque esse modelo não conseguiu prover a nação dos instrumentos necessários para a sua energia empreendedora e inovadora, conviveu com a baixa produtividade em nossa economia", criticou.

Em seguida, Mangabeira defendeu o ajuste fiscal promovido pela presidente Dilma sob o argumento de que as medidas são necessárias para que o Brasil não fique "de joelhos" diante dos "interesses financeiros".

"O ajuste é necessário para não depender da confiança financeira, para que o Estado e o País não fiquem de joelhos diante dos interesses financeiros, para reafirmar o poder estratégico do Estado na construção de um novo projeto", disse.

Para Mangabeira Unger, o ajuste "não é uma agenda", é a "mera preliminar de uma agenda". "A agenda de enfatizar a produção e a oferta, e não mais apenas o consumo e a demanda. A diferença fundamental entre democratizar a economia do lado da demanda e democratizá-la do lado da oferta é a seguinte: a democratização do lado da demanda se pode fazer só com dinheiro, a democratização do lado da oferta exige transformação estrutural, inovação nas instituições, inclusive nas instituições que definem a economia de mercado", afirmou o ministro.

Escalado pela presidente Dilma Rousseff para elaborar um plano voltado para a área de educação, Mangabeira Unger disse que o novo projeto nacional é "produtivista e capacitador". "Não é um nacional consumismo, é o produtivismo includente, acompanhado por uma revolução na educação pública", ressaltou.

Posse
Em um curto discurso, o novo presidente do Ipea, Jessé de Souza, disse que a atuação do instituto é "ainda mais decisiva" considerando o "atual momento brasileiro".

 

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