Em mercados

Após alta "surpreendente" da Selic, Copom sinaliza fim iminente de ciclo de ajuste

Comunicado não fecha fortas para que o BC encerre o ciclo de ajustes na próxima reunião, embora seja possível manutenção do aperto monetário caso inflação siga supreendendo

Alexandre Tombini Banco Central BC 1
(Reuters)

SÃO PAULO - Apesar da tendência de virada nas apostas sobre o que o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiria na reunião encerrada na noite da última quarta-feira (15), o comitê surpreendeu boa parte do mercado ao decidir aumentar novamente em 0,5 ponto percentual a Selic, elevando-a para 10,5% ao ano. Com isso, o ajuste iniciado em abril de 2013 já chega a 3,25 pontos percentuais. 

Esta decisão, apesar de contrariar as projeções da LCA Consultores, que projetava uma desaceleração do ritmo de elevação da taxa de juros para 0,25 ponto percentual, não chegou a ser uma grande surpresa, conforme apontou a consultoria. Isso porque o mercado se mostrava cada vez mais dividido: "os desconfortáveis resultados recentes da inflação corrente – em particular a salgada leitura do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de dezembro – sugeriam ser relevante a chance de que o Banco Central optasse por uma decisão mais agressiva do que prevíamos", ressaltam os economistas.

Após a decisão, os economistas apontam para o teor do comunicado, que tornou a afirmar que a autoridade está “dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros” – o que pode ser interpretado como um sinal de que o ciclo de aperto monetário ainda não se encerrou. Por outro lado, a nota também atentou para o fato de que o ciclo de ajustes teve início em abril, sinalizando aos mercados que o atual ciclo de alta já é longo e que seus efeitos sobre a atividade e deflação são defasados e cumulativos.

Outro termo que chama a atenção da LCA é o uso do "neste momento" para contextualizar a decisão de elevar a Selic em mais 0,5 ponto percentual. "A última vez que esses termos foram utilizados foi no comunicado da reunião do Copom de 20 de julho de 2011, em antecipação ao encerramento de um longo ciclo de ajuste da taxa básica de juros", lembra a consultoria.

Contudo, naquele mesmo comunicado, foi suprimida a frase-chave de que o ajuste ocorreria estendido por tempo “suficientemente prolongado (...) para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012” – o que foi interpretado, à época, como um sinal de que o ciclo estaria se encerrando. Na reunião seguinte, o BC surpreendeu os mercados ao reduzir a Selic, em resposta à deterioração do quadro externo.

Desta forma, os economistas da LCA apontam que o comunicado da decisão do Copom não fecha as portas para que o BC encerre o ciclo de ajustes na próxima reunião, embora pareça bastante relevante a possibilidade de que a autoridade monetária julgue conveniente dar prosseguimento ao aperto monetário no curto prazo, sobretudo se a inflação continuar a apresentar surpresas desconfortáveis.

Neste cenário, a LCA aponta que aguardará a divulgação da ata da reunião no próximo dia 23 de janeiro mas, a princípio, continuam a considerar o intervalo entre 10,5% e 11% ao ano o mais provável para a Selic no final de 2014. 

 

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