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Ainda otimista com Brasil, Credit lista os setores mais beneficiados na bolsa

Desempenho melhor do que o esperado no 2º trimestre, política monetária mais prudente e menor risco inflacionário são apontados pelo banco suíço

bandeira do Brasil com crianças - Dia do Soldado
(Antonio Cruz/ABr)

SÃO PAULO - A equipe de análise e os economistas do Credit Suisse destacaram, em relatório mensal, boas perspectivas para a economia brasileira, mostrando-se mais positivas em relação a outros países da América Latina. O Credit tem recomendação ligeiramente overweight (exposição acima da média do mercado) para o Brasil, enquanto tem exposição abaixo da média - underweight - para o México e o Chile.

De acordo com a equipe de análise do banco suíço, a postura segue positiva para o Brasil, apesar de indicações de que o bom desempenho do Ibovespa entre agosto e setembro ocorreu apenas em meio a fatores técnicos, devido a fortes quedas nos meses anteriores. Por outro lado, há quatro razões fundamentais dentre os fatores que norteiam uma maior positiva para o Brasil em termos de fundamentos.

São eles, o desempenho da economia no segundo trimestre, uma política monetária mais prudente em meio à tendência de alta da Selic, a diminuição do risco de aumento da inflação com a apreciação do real após a forte desvalorização da divisa frente ao dólar e a possibilidade crescente de um aumento no preço dos combustíveis.

Segundo os analistas, parte da baixa é justificada pelo sentimento negativo com relação ao Brasil, reforçada pela avaliação de que o índice brasileiro é um dos mercados emergentes mais caros, com uma relação de preço sobre lucro de mais de 20 vezes. Contudo, ajustada para a nova metodologia, que terá efeito total em 1 de maio de 2014, o múltiplo para o Ibovespa seria de 11 vezes.

Enquanto isso, para o México, as expectativas são mais conservadoras em meio aos cortes nas projeções para o PIB, que podem cair ainda mais, assim como no Chile, que vê a sua atividade econômica ter sinais de desaceleração.

OS PRINCIPAIS PONTOS DA ECONOMIA BRASILEIRA

- Câmbio: os analistas destacam que, apesar da recente apreciação do real, a expectativa é de que o real ainda se deprecie - a equipe econômica do banco espera que o dólar termine a R$ 2,30 e R$ 2,40, respectivamente, para 2013 e 2014. Desta forma, os analistas seguem mais expostos no setor petroquímico e de alimentos, uma vez que são beneficiários do real mais fraco, uma vez que possuem dívidas em dólar e são exportadores. Por outro lado, os analistas não recomendam a entrada no setor de aviação, uma vez que tem a maioria dos custos denominada em dólar.

- Alta da Selic: a equipe de análise do banco espera que a taxa básica de juros, Selic, subirá mais 50 pontos-base até o final do ano, o que deve beneficiar o setor financeiro, segmento este em que o Credit tem recomendação overweight.

- Crescimento no Brasil: com o modelo de crescimento do País baseado em 3C's (crédito, consumo e commodities) se esgotando, o governo se vê obrigado a resolver alguns dos seus problemas estruturais mais profundos. Entre os primeiros itens da agenda está o setor de infraestrutura, onde o governo pretende elevar investimentos em estradas, ferrovias aeroportos e setor de energia. Com isso, os analistas seguem com exposição overweight no segmento de logística e, vendo uma tendência de aumento dos gastos em bens de capital, também possuem uma visão positiva para o setor industrial.

- Baixo consumo: no lado oposto, está a perspectiva negativa no segmento de varejo, devido à inflação alta, redução na geração de emprego e alto endividamento dos consumidores. Desta forma, no setor, indiretamente, a preferência é pela Cielo (CIEL3), empresa de meios de pagamento. Por outro lado, com o desenvolvimento social, a busca por educação deve aumentar, o que guia a expectativa positiva para o setor.

- Aumento do preço de combustíveis: a alta dos preços de combustíveis irá beneficiar imensamente o setor de petróleo e gás, mas avaliam que o evento já está muito precificado; por isso, os analistas reduziram a recomendação para marketweight (exposição em linha com a média do mercado). Um segundo setor que também se beneficiaria seria o agrícola, especialmente para aqueles com exposição ao etanol. 

 

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