Em mercados

Ibovespa inicia com alta de 0,64%, com destaque para ações domésticas

Na ponta negativa, aparecem as ações da Eletrobras, que perdeu a concorrência pela privatização da EDP, de Portugal

SÃO PAULO - Em linha com o apresentado no exterior, o Ibovespa abriu o pregão desta sexta-feira (23) em alta de 0,64%, registrando 57.716 pontos. As principais notícias da jornada, no entanto, devem vir dos Estados Unidos, em meio a um mercado de baixa liquidez e sem o rali esperado de fim de ano.

Os investidores deve aproveitar esse baixo volume financeiro apresentado para procurar por ativos de maior risco, em meio a um relativo alívio da economia global. Isso porque, como explica Jason Vieira, da Cruzeiro do Sul Corretora, a Europa já abriu diversos canais para dissolver a crise da dívida, e os norte-americanos afastam definitavamente a possibilidade de recessão.

Além dos cortes no orçamento já aprovados no Congresso dos EUA, este é o segundo dia de expectativas em torno de indicadores do país, que já haviam sido surpreendentes apara os analistas na véspera. Os pedidos de auxílio-desemprego vieram abaixo do esperado, e a confiança do consumidor, medida pelo Michigan Sentiment, acima. Mesmo assim, as agências de classificação de risco Moody’s e Fitch mantêm sua perspectiva negativa sobre o rating.

Destaques de ações
Por volta das 11h15 (horário de Brasília), as ações que figuravam entre os destaques de alta eram as da Vanguarda Agro (VAGR3, R$ 0,34, +3,03%), da Cyrela (CYRE3, R$ 15,13, +1,41%), da BR Malls (BRML3, R$ 18,05, +1,40%) e da Hypermarcas (HYPE3, R$ 8,78, +1,39%).

Na ponta vendedora, no entanto, apareciam, no mesmo horário, Brasil Telecom (BRTO4, R$ 10,91, -1,80%), Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 50,31, -0,73%) e Eletrobras (ELET3, R$ 18,11, -0,66%; ELET6, R$ 26,76, -0,45%), que perdeu o leilão de privatização da EDP (Energias de Portugal) para a chinesa Three Gorges. A Cemig (CMIG4, R$ 32,75, +0,92%), que também participou da concorrência, subia na bolsa.

Tendências do pregão
Apesar da alta apresentada na Zona do Euro, Octavio de Barros, diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco, acredita que o dia será de estabilidade por aqui. Isso porque, na véspera, o benchmark brasileiro já apresentou forte avanço, subindo 1,23% e confirmando o cenário de grande volatilidade do ano.

Entre os grafistas, Régis Chinchila, da Gradual Investimentos, afirma que, caso o Ibovespa consiga se manter no patamar acima dos 57.300 pontos, vai sofrer forte pressão compradora e deve se valorizar. Para Fernando Góes, da Rico Corretora, a nova resistência a ser testada é a dos 58.800 pontos.

Por aqui, a notícia de que o Banco Central mudou as regras do depósito compulsório para instituições menores pode movimentar as negociações com papéis de bancos de médio porte. Apesar da alteração, a Agência Estado informa que Aldo Mendes, diretor de Política Monetária, nega um problema de liquidez no sistema.

Indicadores conhecidos
No front doméstico, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgou o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal) da terceira semana de dezembro. A taxa foi de 0,78%, contra 0,72% no período anterior. Este foi o maior resultado desde maio de 2011, segundo a fundação.

Na França, o PIB (Produto Inerno Bruto) foi revisado para baixo em sua medição final. O crescimento no país foi de 0,3%, contra 0,4% apurado anteriormente. O resultado foi influenciado, principalmente, pela demanda doméstica e pelo consumo das famílias, divididas por residências.

Agenda do dia
Na agenda do dia, os EUA são novamente o foco. Serão conhecidos os pedidos de bens duráveis de novembro, bem como renda e gastos pessoais, além das vendas de novas residências norte-americanas, todos relativo ao mesmo mês.

 

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