Em mercados

Ibovespa opera em alta com atenções voltadas para o front europeu

Possível saída da Grécia da Zona do Euro, indicadores norte-americanos e corte na taxa de juros pelo BCE animam mercado

SÃO PAULO – O Ibovespa segue o bom humor registrado nas bolsas internacionais nesta quinta-feira (3), com as atenções voltadas para as reuniões do G-20 e do BCE (Banco Central Europeu), além da possibilidade da saída da Grécia da Zona do Euro. Assim, o benchmark da bolsa brasileira opera em alta de 1,79%, aos 58.346 pontos.

O BCE surpreendeu o mercado ao anunciar um corte de 25 pontos-base na taxa básica de juros para 1,25% ao ano, uma vez que a deterioração da dívida da Zona do Euro vem ganhando maior importância na luta para conter a alta da inflação. O corte marca uma mudança na política monetária do Banco Central Europeu, sob o comando agora de Mario Draghi.

Apesar de a Grécia estar convocando um referendo popular para decidir quanto às reformas fiscais e estruturais do país, o que, em caso de negativa, congelaria o pacote de ajuda oferecido pela Europa e o FMI (Fundo Monetário Internacional), a possibilidade de saída dos gregos da Zona do Euro traz alívio às bolsas pelo mundo. Além disto, a imprensa internacional aponta para uma possível renúncia do primeiro-ministro grego, George Papandreou, embora fontes do próprio gabinete afirmam que ele fica.

Ainda nesta sessão, tem início em Cannes a reunião de líderes do G-20. Por lá é notório que, além dos problemas da Grécia, a crise fiscal da Zona do Euro como um todo guiará a pauta.

Ações
Entre os destaques da ponta positiva do Ibovespa nesta manhã estão os papéis da Braskem  (BRKM5, R$ 15,33, +5,07%),  GOL (GOLL4, R$ 13,58, +3,66%),  JBS (JBSS3, R$ 4,89, +3,38%), Metalúrgica Gerdau  (GOAU4, R$ 19,35, +3,26%) e Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 66,66, +3,16%). 

Análises
Apesar de fechar em baixa na última sessão, o Ibovespa não perdeu o suporte de 57 mil pontos, segundo o analista gráfico da Gradual Investimentos, Régis Chinchila. "A pressão de compra será retomada superando a resistência em 58.600 pontos, com próximas barreiras entre 60 mil e 60.700 pontos", avalia o analista.

Já o diretor de pesquisas e estudos econômicos da Bradesco Corretora, Octavio de Barros, atribui os ganhos no mercado internacional à possibilidade de saída da Grécia da Zona do Euro, influenciando positivamente o front doméstico. "Com isso, esperamos que a bolsa de valores brasileira opere em ligeira alta no pregão de hoje", afirma.

Indicadores econômicos
Nos EUA, o número de pedidos de auxílio-desemprego reportados na última semana veio abaixo das expectativas do mercado, de 401 mil solicitações, com o Initial Claims registrando um total de 397 mil novos pedidos. Ainda por lá, a prévia da produtividade no mercado de trabalho norte-americano mostrou alta no terceiro trimestre de 2011 ao avançar 3,1%, frente às expectativas de alta de 2,8%.

No Brasil, foi divulgado o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), relativo a outubro. A inflação em São Paulo no período foi de 0,39% na última semana do mês, mantendo a trajetória de aceleração frente à medição anterior. No acumulado dos doze meses, o crescimento foi de 5,85%, contra 6,54% em outubro de 2010.

Front corporativo
Em meio ao apetite maior pelo risco, o pregão da Bovespa também deve ser influenciado pelos balanços trimestrais apresentados nesta quinta. O Banco do Brasil (BBAS3), por exemplo, mostrou um lucro líquido de R$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre, 11,2% a mais na comparação anual. Já a Embraer (EMBR3) teve prejuízo de R$ 200 mil, contra um resultado posivito em R$ 219,9 milhões no ano anterior.

 

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