Em mercados

Ibovespa descola do movimento de Wall Street e fecha em queda de 1,74%

Bolsa não se animou com o corte na taxa básica de juros e voltou aos 54.000 pontos, refletindo aumento na aversão ao risco

SÃO PAULO - Operando em queda durante toda a sessão, o Ibovespa não acompanhou o movimento de Wall Street e fechou esta quinta-feira (20) com queda de 1,74%, aos 54.009 pontos, refletindo a piora no sentimento de aversão ao risco por conta da situação na Europa. O giro financeiro nesta sessão foi de R$ 4,92 bilhões, abaixo da média dos últimos pregões.

Os investidores avaliaram o novo corte de 50 pontos-base na taxa básica de juros, anunciada na noite anterior, que era altamente esperado pelo mercado e não foi o suficiente para trazer otimismo ao mercado. Tradicionalmente, movimentos assim traduzem-se em avanços no mercado acionário, mas as reduções nas perpectivas de crescimento econômico e a situação ainda delicada do continente europeu anularam esse efeito. 

Europa
A Europa seguiu no radar, uma vez que eram esperadas definições para uma nova reunião entre o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel. Eles pretendem delinear os pontos do plano a ser apresentado na reunião de cúpula da União Europeia, no domingo (23), em Bruxelas, com uma possível expansão do EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira) como forma de combater a crise que se estende pelo continente. 

Essa reunião ainda pode vir a ser adiada, afirmou o jornal alemão Die Walt. De acordo com a publicação, o governo alemão defende a ideia de que é preciso haver uma discussão mais aprofundada sobre o EFSF. O fundo poderá ser usado para comprar títulos da dívida pública no mercado secundário de países com uma trajetória sustentável da dívida.

Ainda por lá, a agência Moody's comunicou na véspera o rebaixamento do rating de cinco bancos espanhóis e vários governos regionais, seguindo o rebaixamento da nota da Espanha de Aa2 para A1. Por fim, o parlamento grego anunciou a uma hora do fechamento do mercado brasileiro a aprovação final de suas novas medidas de austeridades fiscais, prevendo mais cortes de gastos e aumentos de impostos.

Destaques
Na ponta negativa, a Braskem (BRKM5) chamou a atenção pela forte queda durante as negociações: após chegar a cair 7,0%, os papéis preferenciais classe A da petroquímica fecharam o dia com desvalorização de 3,97% aos R$ 13,30. Contudo, o maior recuo do Ibovespa foi das ações ordinárias da Usiminas (USIM3), que cairam 5,79% aos R$ 22,28. As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 USIM3 USIMINAS ON 22,28 -5,79 +4,83 17,87M
 LREN3 LOJAS RENNER ON 53,49 -5,58 -1,98 45,83M
 DTEX3 DURATEX ON 8,58 -5,40 -41,55 25,38M
 GFSA3 GAFISA ON 5,83 -5,20 -50,39 84,87M
 CRUZ3 SOUZA CRUZ ON 20,61 -4,98 +20,75 28,17M

Na ponta positiva, destaque para as ações da Fibria (FIBR3), que avançou 1,26% aos R$ 14,48. O papel foi seguido pelos ativos preferenciais classe A da Usiminas (USIM5), que avançaram 0,66% aos R$ 10,73. As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 FIBR3 FIBRIA ON 14,48 +1,26 -44,67 27,65M
 USIM5 USIMINAS PNA 10,73 +0,66 -43,58 56,67M
 CSAN3 COSAN ON 26,50 +0,65 -1,99 47,48M
 TNLP4 TELEMAR PN 17,86 +0,62 -24,23 22,12M
 LIGT3 LIGHT S/A ON 25,33 +0,52 +6,06 13,48M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA EDJ 37,21 -1,27 737,64M 783,63M 25.792 
 PETR4 PETROBRAS PN 18,82 -2,13 301,57M 413,09M 19.144 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 31,60 -1,25 272,96M 310,96M 17.268 
 VALE3 VALE ON EDJ 39,65 -1,25 202,97M 212,32M 12.366 
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 12,74 -1,09 194,94M 301,80M 13.466 
 BBDC4 BRADESCO PN 29,20 0,00 168,70M 198,01M 12.316 
 BBAS3 BRASIL ON 23,80 -1,20 144,93M 172,62M 11.480 
 PETR3 PETROBRAS ON 20,46 -2,34 127,59M 111,97M 9.587 
 BRKM5 BRASKEM PNA 13,30 -3,97 93,35M 26,96M 12.299 
 GGBR4 GERDAU PN 13,25 -2,79 91,38M 110,87M 10.395 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Agenda
Os investidores acompanham ainda uma agenda carregada de indicadores. Internamente, a segunda prévia de agosto do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) marcou inflação de 0,50%, enquanto o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou 0,42% de inflação.

Na agenda econômica norte-americana desta sessão, o Initial Claims mostrou um número de pedidos de auxílio-desemprego em linha com o esperado na última semana. Já o Leading Indicators, que compreende vários índices já divulgados, registrou variação positiva de 0,2% no mês de setembro, levemente abaixo do esperado.

Ademais, o Existing Home Sales, índice é responsável por medir as vendas de casas usadas no país, que marcou 4,91 milhões de vendas, bem em linha com o esperado. Por fim, o Philadelphia Fed Index surpreendeu o mercado ao mostrar que a atividade industrial na região marcou 8,7 pontos positivos no período, enquanto era esperado 8,8 pontos negativos.

Dólar
Consolidando os ganhos durante a tarde, o dólar comercial fechou em alta de 0,74% nesta quinta-feira, fechando cotado a R$ 1,789 na venda. Essa valorização foi impulsionada pelo sentimento de aversão ao risco, que tende a prejudicar investimentos mais arriscados, como o mercado acionário, favorecendo investimentos tidos como mais seguros, como a moeda norte-americana. 

Bolsas Internacionais
Nos Estados Unidos, o índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas , fechou em leve alta de 0,46% e atingiu 1.215 pontos, seguindo esta tendência, o índice Dow Jones valorizou-se 0,20% a 11.526 pontos. Por outro lado, a Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, fechou em leve baixa de 0,44% atingindo 2.596 pontos.

Na Europa, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt registrou baixa de 2,49% e atingiu 5.766 pontos; no mesmo sentido, o índice CAC 40 da bolsa de Paris desvalorizou-se 2,32% chegando a 3.084 pontos e o FTSE 100, da bolsa de Londres, caiu 1,21% a 5.385 pontos.

Renda Fixa
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, os principais contratos fecharam em alta nesta sessão. O contrato de juros de maior liquidez nesta quinta-feira, com vencimento em janeiro de 2012, registrou uma taxa de 11,14%, 0,03 ponto percentual acima do fechamento de quarta-feira.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou com queda de 0,36% em relação ao fechamento anterior, a 130,98% do valor de face.

Já o indicador de risco-País fechou em alta de 3 pontos-base, aos 233 pontos.

Agenda vazia na sexta-feira
Para a próxima sessão, não são esperados nenhum indicador relevante tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

 

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