Em mercados

Teoria quantitativa lembra que a moeda precisa circular; afinal, a crise é de confiança

Sem uma reação da velocidade de circulação, os trilhões a mais injetados não trarão recuperação; simples, mas deve demorar

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SÃO PAULO - Antes crise de liquidez; agora apenas crise. Os problemas que começaram no setor imobiliário norte-americano deram uma amostra do efeito dominó a que as economias estão expostas. Espalharam-se pela economia real, fizeram o mercado deixar de lado aos poucos o desafio de fazer a moeda circular. Afinal, a crise também é de confiança.

As autoridades monetárias não se esqueceram: basta avaliar que suas medidas ainda tentam cortar o mal da crise pela raiz da liquidez. Qualquer esboço de recuperação da economia passa necessariamente por este canal. Não dá para projetar estabilização qualquer do mercado sem antes conseguir uma resposta do "V". Lembrando da velha teoria quantitativa, "V" é a velocidade de circulação da moeda ou quantas vezes o dinheiro troca de mãos.

Este ponto reforça uma questão básica: de que adianta as autoridades monetárias inundarem o sistema com dólares se falta confiança para fazer este dinheiro todo circular. Os últimos dados da base monetária norte-americana apontam para o dilema. De acordo com projeções do banco de investimentos Merrill Lynch, o "V" não passa muito longe de zero.

Base monetária
No quarto trimestre, a base monetária norte-americana cresceu 67% na comparação anual; efeito dos trilhões de dólares em aportes do governo. O problema é que o crescimento do M1 foi de 11,3% e do M2 bateu 8%, enquanto o aumento do M3 não passou de 6,6%, este último nas projeções da Merrill Lynch.

Os "M"s da base monetária se referem exatamente à liquidez dos meios de pagamento. Quanto menor seu número, maior a liquidez. Assim, M1 diz respeito ao papel moeda em posse do público e depósitos à vista, enquanto M2 inclui depósitos para investimento e as emissões de alta liquidez realizadas primariamente no mercado interno. M3 soma ao M2 as captações internas por intermédio dos fundos de renda fixa e a posição líquida de títulos registrados no Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) - no caso brasileiro.

- Equação quantitativa da moeda -
M V = P Y

- M: quantidade de moeda - P: nível de preços
- V: velocidade da moeda - Y: produto real da economia
A Merrill Lynch explica a menor expansão dos meios menos líquidos como claro indício que o dinheiro gerado está estático, não sendo utilizado, ou melhor, não trocando de mãos.

Injeções e juros baixos
Os analistas da First Trust já haviam mencionado este impasse, creditando o pânico do mercado a uma queda sem precedentes na velocidade de circulação da moeda. "Já que não há forma de saber se a velocidade irá ser retomada em breve, é importante que o Fed aumente o crescimento do estoque de moeda tão rápido quanto possível."

O argumento da First Trust dá crédito à política já empregada de juro básico baixo e injeções de capital. Na fórmula, resolver o dilema da velocidade de circulação da moeda parece simples, mas é um típico caso de readquirir a confiança do sistema.

Só depois de 2010
"Em nossa opinião, os empréstimos bancários irão se recuperar quando o valor das garantias usadas na obtenção dos empréstimos se estabilizar. Para hipotecas e outros empréstimos, isto significa que a relação entre oferta e demanda precisa se equilibrar, assim com o preço dos imóveis", explica a Merrill Lynch.

"Para esta estabilização de preços dos imóveis, acreditamos que o estoque atual do mercado precisa cair para oito meses de oferta. Para tal, precisamos simplesmente de tempo. (...) Não há possibilidade desta estabilização antes de 2010."

 

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