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A busca por taxa de acerto elevada costuma ser um dos principais objetivos de quem começa no day trade.
Parte dos traders mais experientes segue justamente o caminho oposto: em vez de tentar acertar todas as operações, prioriza gerenciamento de risco, payoff e capacidade de alongar ganhos quando o mercado entrega oportunidade.
Léo Santana trader e CEO da Top Gain foi o convidado do episódio 34 da 3ª temporada do programa A Arte do Trade, no canal GainCast.
No programa, ele explicou como utiliza parcial, médio para frente e relação risco-retorno para estruturar suas operações no mercado futuro.
Parcial e payoff
Na visão de Santana, boa parte dos traders concentra energia excessiva na tentativa de elevar a assertividade operacional, enquanto negligencia um fator considerado essencial: a relação risco-retorno.
Segundo ele, operações lucrativas no longo prazo dependem muito mais da capacidade de alongar ganhos do que simplesmente acertar muitas entradas consecutivas.
Além disso, o trader afirma que a parcial exerce papel central dentro da sua metodologia.
Ao reduzir parte da posição rapidamente, é possível aliviar pressão emocional, proteger capital e permitir que a operação continue aberta buscando movimentos maiores.
“Não quer perder dinheiro no mercado financeiro, é só fazer parcial”, ensina.
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Nesse modelo, a parcial não representa o encerramento prematuro da operação, mas sim uma forma de reposicionar o risco.
Depois disso, o foco passa a ser o alongamento do trade.
Para ele, essa dinâmica permite aumentar o potencial de ganho sem ampliar a exposição financeira de forma descontrolada. “A parcial ela tira o meu risco”, observa.
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Por outro lado, Santana afirma que muitos operadores acabam utilizando a parcial de maneira equivocada.
Isso porque reduzem a posição rapidamente, mas encerram operações vencedoras cedo demais.
Na avaliação do trader, esse comportamento compromete o payoff e impede o crescimento consistente no longo prazo: “A galera tem medo de ganhar dinheiro.”
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Leia também: O segredo do payoff: por que traders lucram mesmo com baixa taxa de acerto
Errar rápido e barato
Outro ponto defendido por Santana envolve a necessidade de aceitar o erro como parte inevitável da atividade.
Para ele, traders que operam tentando evitar qualquer loss acabam criando pressão psicológica excessiva, o que prejudica execução e tomada de decisão durante o pregão.
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Diante disso, o trader afirma que prefere trabalhar com stops curtos e objetivos.
Em vez de buscar a perfeição operacional, procura estruturar um modelo em que perdas sejam pequenas e rapidamente controladas.
Dessa maneira, operações vencedoras conseguem compensar vários erros menores ao longo do mês. “A gente precisa errar curto, rápido e barato”, reforça.
Santana também questiona a obsessão de parte do mercado pela taxa de acerto elevada.
De acordo com ele, mesmo operando ao vivo diariamente, sua assertividade gira em torno de 55%, percentual que considera apenas levemente acima do equilíbrio probabilístico natural do mercado.
Ainda assim, afirma manter lucratividade justamente através do payoff. “Como é que você ganha dinheiro? Risco-retorno”, destaca.
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Crítica ao scalping
Embora utilize parcial curta em determinadas situações, Santana faz distinção clara entre essa prática e estratégias exclusivamente focadas em scalping.
Para o trader, operações extremamente curtas podem gerar sensação ilusória de eficiência operacional, principalmente por apresentarem taxa de acerto elevada no curto prazo.
Na avaliação dele, o problema aparece justamente quando custos operacionais, emolumentos e relação risco-retorno entram na equação.
Segundo Santana, traders que dependem apenas de movimentos pequenos acabam presos em uma dinâmica de alto giro e baixa eficiência financeira.
“Scalping é a falsa sensação do dinheiro rápido e fácil”, afirma.
Ele também critica estratégias de médio para trás, prática em que o operador aumenta posição em operações negativas tentando melhorar preço médio.
De acordo com Santana, esse comportamento cria risco assimétrico e pode gerar perdas difíceis de controlar em momentos de volatilidade elevada.
“Tem duas coisas que não funcionam: scalping e médio para trás”, alerta.
Por fim, Santana afirma que sua operação busca justamente combinar proteção rápida com capacidade de capturar movimentos maiores do mercado.
Dessa forma, entende que o objetivo principal não está em acertar sempre, mas em construir uma matemática operacional sustentável no longo prazo.
“Eu preciso fechar esse risco-retorno”, conclui.
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