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A maioria dos traders que buscam consistência opta por altas taxas de acerto, mas, na prática, parte dos modelos mais consistentes segue uma lógica diferente.
Em vez de acertar mais, a prioridade passa a ser estruturar operações em que os ganhos superem as perdas ao longo do tempo.
Convidados do episódio 31 da 3° temporada do programa A Arte do Trade, no canal GainCast, Arthur Aquino e Felipe Hornung, da Outliers Invest, explicam como as estratégias com baixa taxa de acerto podem, ainda assim, gerar resultados positivos no longo prazo.
Perder mais, ganhar melhor
Um dos pontos centrais apresentados pelos traders é o conceito de payoff positivo.
Ou seja, mesmo com taxa de acerto inferior a 50%, a estratégia pode ser lucrativa no longo prazo.
“Olha a taxa de acerto dessa, 38%, bem baixa” afirma Felipe Hornung ao citar a taxa de acerto de uma das estratégias.
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Na prática, essa lógica está diretamente ligada à relação risco-retorno.
Enquanto as perdas são controladas, os ganhos são potencializados, permitindo que poucos trades positivos sejam suficientes para compensar uma sequência de resultados negativos.
“Quanto mais você aumenta o seu payoff, você vai diminuir a sua taxa de acerto”, explica Hornung.
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Como consequência, esse modelo exige um perfil psicológico mais preparado.
Isso porque o trader enfrentará sequências de perdas antes de capturar movimentos maiores.
Portanto, a consistência depende mais da execução do que da taxa de acerto isolada. “O psicológico tem que aguentar”, afirma Hornung.
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Outro ponto que reforça essa dinâmica é a baixa frequência operacional.
Em um dos exemplos apresentados, a estratégia realizou cerca de 169 operações ao longo de aproximadamente 270 pregões e apresentou taxa de acerto próxima de 45%, evidenciando longos períodos de espera entre os trades.
Aquino reforça o dilema entre satisfação emocional e resultado financeiro.
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Enquanto estratégias com alta taxa de acerto geram conforto psicológico, aquelas com payoff positivo tendem a ser mais eficientes no longo prazo.
“A gente tem como deixar o cliente feliz ou o bolso do cliente feliz”, afirma Aquino.
Leia também: O “airbag” do trader: a disciplina no gerenciamento de risco
Automação
Segundo eles, a dificuldade em manter disciplina manualmente reforça a importância da automatização.
Na prática, mesmo com uma estratégia validada, o fator humano tende a interferir na execução, seja antecipando entradas, encerrando posições antes da hora ou aumentando risco após perdas.
Nesse sentido, a própria origem da automação está ligada à tentativa de eliminar falhas humanas na execução.
Ao perceber que já seguia regras rígidas na operação manual, Hornung enxergou na programação uma forma de escalar esse comportamento e evitar desvios ao longo do tempo.
“Eu sempre operei igual um robô. Se eu já estou aqui na minha tela sendo um robô, por que eu não programo isso”, afirma Hornung.
Assim, a automação passa a atuar como uma ferramenta de proteção contra o próprio operador.
Ao retirar a tomada de decisão em tempo real, o modelo reduz a influência de fatores emocionais, especialmente em momentos de estresse, sequência de perdas ou tentativa de recuperação.
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