Multimercados e ações levam indústria de fundos a quinto ano de captação positiva

Juntos, estes fundos respondiam por 80,6% da captação líquida doméstica até o último dia 19, de R$ 63,168 bilhões

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SÃO PAULO – O mercado doméstico de fundos de investimento se aproxima do final de 2007 confirmando mais um ano positivo. A captação líquida, diferença entre aplicações e resgates, caminha para seu quinto ano consecutivo de saldo positivo.

Outra marca memorável que 2007 deixará no histórico da indústria de fundos é o rompimento da marca de R$ 1 trilhão em patrimônio líquido (PL).

(em R$ bilhões) Captação líquida* Patrimônio líquido*
2002 -63,825 344,48
2003 61,825 497,236
2004 7,949 591,488
2005 20,342 719,983
2006 68,421 913,727
2007** 63,168 1.111

Fonte: Anbid
*Valores correntes
**Até 19 de dezembro

Considerando apenas a captação, o crescimento do PL doméstico total ronda os 6,6%. Contudo, quando a rentabilidade das cotas também é levada em conta, o avanço do patrimônio frente a 2006 supera os 22%.

Tendências do mercado e seus reflexos nos fundos

Sem dúvida, o grande motor da captação líquida foram os fundos com exposição à renda variável. Apesar do estouro da crise subprime a partir da segunda metade do ano, 2007 foi amplamente positivo para a bolsa brasileira, e a resposta veio pelas aplicações nos multimercados e nos fundos de ações.

Até o último dia 19, estes dois fundos respondiam, juntos, por 80,6% da captação líquida total do mercado doméstico. Na contramão, o resultado geral não foi melhor por causa dos fundos que acumulavam saldo negativo.

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(R$ bilhões) Captação Líquida 2007*
Multimercados 32,509
Ações 18,388
FIDC 9,357
Previdência 8,224
Privatização 5,429
Curto Prazo 3,142
Renda Fixa 0,836
Cambial -0,488
Dívida Externa -1,495
Referenciado DI -12,733
Total 63,168

*Até 19 de dezembro

Entre os fundos cambiais e da dívida externa, a tendência de depreciação do dólar ao longo do ano explica a fuga de capital. Já entre os fundos DI, a continuidade da trajetória de queda da taxa básica de juro do País, a Selic, tirou a atratividade deste investimento.

Por este motivo, também é possível interpretar o fraco resultado dos fundos de renda fixa em termos de captação, categoria que representa a maior parcela do mercado doméstico de fundos de investimento em termos de patrimônio líquido.

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O salto da renda variável

Em conjunto, rentabilidade e captação líquida levaram os fundos de ações e os multimercados a maior espaço no mercado. No primeiro caso, o market share passou de 8,78% ao final de 2006 para 11,39% no último dia 19. Entre os multimercados, o salto também foi surpreendente. A participação no PL total passou, na mesma base comparativa, de 22,92% para 24,43%.

Estes fundos são tidos como a “ponte” para os investidores mais conservadores que querem dar os primeiros passos na renda variável. Já os mais ousados procuraram direto pelos fundos de ações. A maior educação financeira, a popularização do mercado acionário e a menor atratividade da renda fixa são fatores que levaram à maior procura pelos fundos atrelados à renda variável.

Além de novos investidores, estes fundos também acolheram aqueles que migraram das aplicações na renda fixa. Ao final de 2006, o market share dos fundos DI e renda fixa era, respectivamente, 18,39% e 35,10%. Em 19 de dezembro, estes números eram 15,52% e 35,10%.

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Não só os multimercados consolidaram o posto de segunda maior categoria de fundos de investimento, ampliando sua vantagem, como os fundos de ações passaram a apresentar maior ameaça aos fundos DI, que ocupam a terceira posição nesta lista.