Mudanças na importação de vestuário: veja influências no seu bolso

Há duas propostas para conter a entrada de produtos externos: modificação da tributação e aumento da TEC

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – No início da semana, o governo anunciou uma série de medidas para impedir que a crescente desvalorização do dólar frente ao real prejudique a indústria brasileira. Dentre elas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, citou uma tributação específica às importações de vestuário: a cobrança, feita atualmente sobre o valor da mercadoria, passará a ser feita por peso.

A modificação ainda precisa ser aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) para então ser passada ao Conselho do Mercosul. Contudo, o consumidor já fica preocupado com os efeitos que a alteração pode causar no bolso. Mas, de acordo com Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), não há motivo para preocupação: roupas não devem ficar mais caras.

Legalidade e subfaturamento

“No que diz respeito aos produtos fabricados aqui e os produtos importados que entram legalmente, não haverá nenhum efeito. O objetivo da mudança é o combate à importação de produtos com preços subfaturados”, explicou a entidade, por meio de nota.

De acordo com o ministro, a mudança é necessária porque a Receita Federal constatou casos em que o preço declarado dos produtos que entraram no Brasil era menor, inclusive, que seus custos de fabricação. Mantega explicou que isso caracteriza subfaturamento e que causa prejuízo às empresas nacionais do ramo, por conta da falta de fôlego em manter a competitividade.

Pelo quilo

A Abit lembrou que, em maio, em pouco mais de 20 dias de fiscalização intensa da Receita sobre os produtos importados subfaturados, o preço médio do quilo do vestuário subiu de US$ 9 para US$ 14.

“Isso não é aumento no preço do produto. Isso é valor real praticado em todos os outros mercados. Na Argentina o valor chega a US$ 16 por quilo dos mesmos produtos”, informou.

Possível aumento

Contudo, ainda existe a possibilidade de aumento no preço das roupas. No dia 28 de junho, quando será realizada reunião do Conselho do Mercosul, em Assunção (Paraguai), será discutido o aumento da Tarifa Externa Comum (TEC), dos atuais 20% para 35%, exatamente sobre artigos de vestuário.

Na avaliação da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abeim), essa medida influenciará diretamente nos preços de jaquetas e roupas de tricô, que ficarão de 11% a 15% mais caras.

“A nossa produção nacional desses itens não comporta a necessidade de consumo”, explicou recentemente o presidente da entidade, Sylvio Mandel, ao detalhar que de 60% a 70% desse tipo de roupa comercializados por aqui vêm de países vizinhos.

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