MRV, Cury, Tenda saltam até 10% na B3: prévias do 3T animaram ou é só rali eleitoral?

Dados foram considerados mistos, apesar de algumas companhias receberem visões positivas; maior impacto é da queda dos juros futuros

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As ações ⁠de construtoras listadas no Ibovespa avançavam nesta sexta-feira após ‌a publicação de dados preliminares do terceiro trimestre. Apesar de dados divergentes das companhias e muitas afetadas pelos efeitos da greve da Caixa, os ativos do setor saltavam em meio à queda de juros com o rali eleitoral.

As taxas dos DIs de longo prazo operavam em baixa nesta manhã de sexta-feira, com investidores reagindo a duas novas pesquisas eleitorais que colocam o senador Flávio Bolsonaro (PL) na liderança da disputa pelo Planalto.

O efeito das pesquisas na curva ofusca o impacto dos dados de inflação divulgados mais cedo, mostrando o IPCA acima das projeções em setembro. No mercado, boa parte dos agentes considera que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas — ainda que o candidato não tenha apresentado propostas concretas de ajuste.

No limite, o equilíbrio das contas públicas abriria espaço para juros mais baixos, o que se refletiu nos últimos dias na redução de prêmios na curva de DIs, principalmente entre os vencimentos de longo prazo, mais sensíveis à política fiscal, tendo um impacto positivo para as ações do setor de construção.

A MRV Engenharia e Participações (MRVE3) liderava os ganhos do ‌setor com valorização de 10,73% às 11h54 (horário de Brasília), a R$ 7,12 por ação ordinária.

O grupo imobiliário e de construção encerrou o terceiro trimestre com geração de ⁠caixa ‌de R$456 milhões e elevou as vendas ⁠líquidas em 29,6%, para R$3 bilhões, com o valor médio dos apartamentos vendidos subindo 3,1%, para R$276 mil, segundo dados divulgados na véspera.

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Analistas do Itaú BBA afirmaram em nota que ​a MRV apresentou um desempenho misto para o período, mas com ritmo de vendas sólido, ​embora os números tenham sido inflacionados por mudança na metodologia de reconhecimento de vendas da empresa.

O Bradesco BBI ressaltou que, embora os indicadores operacionais sigam mostrando evolução consistente, com vendas recordes e melhora da velocidade de comercialização, a geração de caixa ficou abaixo do esperado. O principal impacto veio das dificuldades nas transferências bancárias provocadas pela greve da Caixa, que, segundo a administração, reduziram a geração de caixa em aproximadamente R$ 80 milhões no trimestre.

“Acreditamos que a companhia segue na direção correta do ponto de vista operacional e que os desinvestimentos em andamento devem contribuir para a redução da alavancagem. No entanto, o desempenho mais fraco do caixa pode atrasar a recuperação da confiança dos investidores no curto prazo”, apontou.

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A Construtora Tenda (TEND3) avançava 6,14%, a R$ 31,38, ‌após registrar crescimento de 4,4% nas ​vendas do período, totalizando R$1,29 bilhão.

O BBI ressaltou que a greve da Caixa prejudicou o desempenho operacional do trimestre, pressionando os distratos e reduzindo as transferências, efeitos que devem se normalizar no 4T26.

Leia também: Construtoras disparam após rali eleitoral: quais ações ainda têm espaço para subir?

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“No entanto, nossa principal preocupação está relacionada ao cenário estrutural: critérios mais rígidos de concessão de crédito pela Caixa e a menor utilização de financiamento pró-soluto pela companhia tendem a limitar a evolução dos preços médios e das margens nos próximos trimestres. Embora o landbank recorde e a crescente exposição aos Grupos 3 e 4 reforcem a tese de crescimento de longo prazo, acreditamos que a menor visibilidade sobre a trajetória das margens pode limitar o desempenho das ações no curto prazo”, concluiu, mantendo compra para o papel.

Já a Cury (CURY3) subia 6,77% para R$ 33,61. A construtora e incorporadora anunciou crescimento de 10,7% nas vendas líquidas ⁠do terceiro trimestre, atingindo ​R$1,8 bilhão. O valor médio dos apartamentos vendidos foi de R$322,8 mil, alta de 7,7% sobre um ano ​antes.

Em nota, os analistas do Itaú BBA destacaram que os resultados da Cury foram ​melhores do ⁠que o previsto. Segundo Elvis Credendio e equipe, a Cury conseguiu ⁠manter uma sólida relação vendas/suprimento, enquanto a geração de caixa deve garantir, em grande parte, um ritmo sólido de crescimento dos lucros e sustentar uma valorização atraente.

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Já o Bradesco BBI apontou que, embora o aumento dos cancelamentos tenha pressionado os repasses, a demanda subjacente permaneceu saudável. Além disso, a companhia apresentou mais um trimestre de forte geração de caixa, que consideramos o principal destaque positivo do período.

“Apesar do fluxo recente de notícias negativas envolvendo a Caixa Econômica Federal, entendemos que, após a normalização das operações do banco, as perspectivas para o segmento do Minha Casa Minha Vida (MCMV) permanecem positivas”, mantendo assim recomendação de compra para a ação.

(com Reuters)