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O Goldman Sachs atualizou sua recomendação para Motiva (MOTV3), elevando de Venda para Neutro, com um preço-alvo de R$ 15,70 para o final de 2026. A reavaliação reflete a melhora da companhia em alocação de capital, portfólio e um spread de IRR (Taxa Interna de Retorno) em relação às taxas reais no Brasil, alinhado aos níveis históricos.
Recentemente, a Motiva destacou o foco estratégico da companhia na aquisição de ativos premium em áreas geográficas-chave. Conforme os analistas do Goldman, essa estratégia reduz o risco de overbidding (pagamento acima do valor adequado em leilões), o que deve permitir à empresa focar em revisões contratuais.
No caso mais recente, por exemplo, a companhia participou do leilão da Rota Mogiana com a proposta mais conservadora. O leilão encerrou a venda por R$ 1,084 bilhões pela Azevedo & Travassos (AZEV3; AZEV4). O lance da Motiva ficou bem abaixo dentre os quatro oferecidos, em R$ 560 milhões.
De acordo com o banco, a companhia tem buscado otimizar os ativos nos últimos anos, removendo aqueles de baixo desempenho, como Barcas e MSVias. A Motiva vendeu seu segmento de aeroportos para a ASUR no final de 2025. De acordo com os analistas, essa venda permite à empresa focar em seus segmentos principais (rodovias e mobilidade), além de possibilitar desalavancagem.
Segundo os cálculos dos especialistas, após a empresa encerrar 2025 com alavancagem de 3,6x (relação dívida/Ebitda), com a venda do ativo, esse indicador poderia cair para ~3,0x nos próximos anos.
Próximos passos
A Motiva indicou a intenção de vender uma participação minoritária em seu segmento ferroviário. Apesar da pouca visibilidade sobre o processo, os banco avalia que a venda seria positiva, podendo trazer um parceiro estratégico para a operação.
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Além disso, o Goldman Sachs também vê um potencial de valorização nas revisões contratuais. A Motiva já informou que tem negociado revisões com retornos fixos e sem concorrência. De acordo com o banco, a companhia já citou possíveis revisões na Autoban, SPVias e Linha 5 do metrô.
Em 2025, o valuation da companhia voltou aos níveis históricos, negociando com um spread de cerca de 350 bps (pontos-base) em relação aos títulos indexados à inflação de 10 anos no Brasil. “A empresa é vista como um claro rates play (ativo sensível a movimentos de juros) no Brasil, com liquidez suficiente em um ambiente de queda de juros”, explicam. A ação teve forte valorização em 2025 e, no acumulado de 2026, sobe 2%.
