Recuperação, mas...

Morgan vê recuperação próxima para setor de educação, mas não para todos, e corta recomendação para ações da Cogna

Recomendação para COGN3 foi de equalweight (equivalente à neutra) para underweight (equivalente à venda), com preço-alvo indo de R$ 6 para R$ 4,50

Vendo um ponto de inflexão para o setor de educação em geral após um período de bastante dificuldade por conta da pandemia de coronavírus, os analistas do Morgan Stanley fizeram uma avaliação sobre as companhias de capital aberto, ainda que não vendo uma visão positiva para todas elas.

Para os analistas Javier Martinez, Caio Moscardini e Daniela Santoro, uma recuperação dos alunos presenciais deve começar a partir do primeiro semestre de 2022. A vacinação e um ambiente econômico melhor devem levar à reabertura de escolas, demanda maior de ensino pós-secundário e menos desistências. No primeiro semestre de 2022, eles projetam que as companhias listadas poderão ter uma alta de 21% nas matrículas de alunos presenciais, sendo de 45% quando incluídas fusões e aquisições já anunciadas.

O banco aponta que empresas mais atreladas à possível recuperação das aulas presenciais e com fortes balanços podem ter uma recuperação expressiva, mas destaca preferência também a papéis com exposição ao ensino a distância. Empresas com exposição a cursos de medicina/saúde também são bem vistas uma vez que o segmento deve continuar forte, mas os preços atuais já precificam a expectativa de bom desempenho.

O banco afirma que a Cruzeiro do Sul ([ativo=CSDE3]) é sua top pick (escolha preferida), com avaliação overweight (exposição acima da média) e preço-alvo sendo elevado de R$ 16,30 para R$ 19. Em seguida, vêm Yduqs (YDUQ3) e Vitru, essa última negociada na Nasdaq, ambas com avaliação overweight. O preço-alvo de YDUQ3 foi reduzido de R$ 44 para R$ 44, enquanto o de Vitru passou de US$ 18,50 para US$ 21.

O banco rebaixou a avaliação da Afya de overweight para equal-weight (exposição em linha com a média), e reduziu o preço-alvo de US$ 32,00 a US$ 28,50 do papel negociado na Nasdaq. O banco reiterou a avaliação da Ser Educacional (SEER3) como equalweight, e elevou o preço-alvo de R$ 17,50 para R$ 20.

Por outro lado, o Morgan Stanley reduziu a exposição à Cogna (COGN3) no setor de equalweight para underweight (exposição abaixo da média) e reduziu o preço-alvo de R$ 6 para R$ 4,50, devido ao momentum de lucros mais fracos, endividamento alto e reestruturação complexa no segmento presencial.

O banco também reiterou a avaliação underweight para a Anima ([ativo-ANIM3]), mas elevou o seu preço-alvo de R$ 12,33 para R$ 14,50. O banco diz ver riscos de execução relacionados à Laureate e uma integração grande e complexa, com um plano de redução do endividamento que inclui desinvestimentos em instituições em um mercado de compradores.

Temporada em foco

Cabe ressaltar que, para a temporada de resultados do segundo trimestre de 2021, analistas ainda projetam números pressionados para as companhias do setor.

Para o Morgan Stanley, o segundo trimestre tende a ser uma continuação dos resultados do primeiro trimestre, com o foco sendo nas tendências de matrículas do terceiro trimestre, em que esperam algumas sinalizações positivas. “Ainda não é um ponto de inflexão claro, mas talvez um bom indicador para matrículas no próximo ano”, apontam os analistas.

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A XP também ressalta que os trimestres pares (segundo e quarto trimestres) costumam ser monótonos para as empresas de educação, já que os ciclos de captação estão concentrados nos ímpares.

“Portanto, as atenções devem se voltar para quaisquer atualizações que as companhias possam dar sobre o ciclo de captação ainda em andamento do terceiro trimestre – nossa expectativa é que este mostre os sinais iniciais de recuperação à medida que a pandemia diminui. Em relação aos números do trimestre, esperamos que as margens continuem pressionadas devido ao aumento da provisão para devedores duvidosos e maiores despesas de marketing – a mesma dinâmica observada no primeiro trimestre de 2021”, aponta a XP.

Com relação a empresas específicas, o Morgan aponta que a Cogna deve seguir registrando um trimestre desafiador, com a reestruturação dos campus bem encaminhada, mas custos e despesas ainda devendo pressionar o balanço. O ensino secundário também deve ser impacto negativamente.

O BTG também prevê resultados ainda fracos no setor, dada a dinâmica ainda difícil no segmento presencial, pressão de preços no ensino a distância, alavancagem operacional negativa e provisões em níveis altos. Na reta final do pregão, os ativos COGN3 caíam 2,2%, YDUQ3 tinha perdas de 1,5%. SEER3 caía 1,2%, enquanto Anima tinha baixa ainda mais expressiva, de cerca de 4%.

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