Morgan prevê cenário “binário” para preços do petróleo e prefere Vibra à Petrobras

Recomendação é sustentada por uma leitura construtiva para o setor de distribuição e por avanços internos da companhia

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Imagem mostra uma plataforma de petróleo.
Imagem mostra uma plataforma de petróleo.

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Após um ano de 2025 altamente volátil para os preços do petróleo, com o Brent oscilando entre US$ 59 e US$ 82 por barril, o Morgan Stanley mantém uma postura defensiva e prefere Vibra Energia (VBBR3) em relação a PRIO (PRIO3) e Petrobras (PETR3; PETR4).

A escolha pela Vibra é sustentada por uma leitura construtiva para o setor de distribuição e por avanços internos da companhia. Em outubro, o banco revisou sua principal recomendação para a empresa, destacando o endurecimento do ambiente regulatório como um gatilho relevante para a recuperação gradual das margens e o ganho de participação de mercado.

Na avaliação do Morgan Stanley, a combinação entre maior eficiência operacional e redução da alavancagem deve resultar em uma expansão consistente do retorno sobre o capital investido (ROIC), movimento que ainda não estaria plenamente refletido nos preços das ações. Mesmo após uma valorização de cerca de 50% em 2025, o banco vê um conjunto adicional de catalisadores regulatórios ao longo de 2026 capaz de reforçar a atratividade da tese de investimento.

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Cenário binário

O banco destaca que a volatilidade acentuada evidencia o impacto de dinâmicas geopolíticas em rápida transformação, que continuam a moldar os fundamentos de oferta e demanda e a influenciar o sentimento do mercado. A amplitude desses movimentos reforça o papel central do risco geopolítico na definição das trajetórias do mercado de energia.

A incerteza, segundo o banco, deve persistir em 2026. A tese de superávit apresentada pelo estrategista Martijn Rats vem se materializando conforme o esperado. Um excedente relevante surgiu no segundo semestre de 2025 e deve se ampliar no primeiro semestre de 2026, com o superávit global atingindo o pico em meados de 2026. Esse excesso de oferta contínuo segue pressionando negativamente os preços do petróleo no curto prazo.

Nesse contexto, o ambiente de mercado permanece claramente binário, com viés mais inclinado ao cenário negativo. Em conversas recentes com investidores, o sentimento baixista em relação ao petróleo continua predominante, com poucos agentes esperando preços moderadamente estáveis neste ano e praticamente nenhum adotando uma visão altista neste momento.

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Diante desse quadro, o Morgan Stanley vê o nível de US$ 60 por barril como um ponto-chave para o posicionamento dos investidores. Acima desse patamar, a exposição a produtores de petróleo — como PRIO e Petrobras — ainda se justifica.

Na faixa dos US$ 50 por barril, apesar de a maioria dos produtores no Brasil mostrar resiliência, o banco prefere a exposição à distribuição de combustíveis, mais defensiva, com destaque para a Vibra (VBBR3), classificada como overweight (exposição acima da média, equivalente à compra).

Em um cenário altista, com o petróleo acima de US$ 65 por barril, a Brava Energia (BRAV3) seria uma opção atrativa, dada sua maior alavancagem operacional e o posicionamento ainda leve dos investidores. Considerando o balanço de riscos assimétrico, inclinado para baixo, o banco mantém a Vibra como sua principal escolha neste ponto do ciclo da commodity.

Entre as ações com recomendação overweight, a menor sensibilidade aos preços do Brent sustenta a preferência atual pela distribuição de combustíveis, enquanto o segmento de exploração e produção segue atrativo com o Brent acima de US$ 60. Historicamente, as distribuidoras brasileiras demonstraram resiliência à volatilidade do petróleo graças à forte capacidade de repasse de preços, permitindo ao setor superar o desempenho do Brent em períodos de queda.

Petróleo abaixo de US$ 60 o barril

Em um cenário de preços abaixo de US$ 60 por barril, o universo de investimentos se estreita, tornando a Vibra a escolha mais clara dentro da cobertura do banco. Mesmo na faixa de US$ 55 a US$ 60 por barril, PRIO e Petrobras ainda se mostram resilientes e podem ser alternativas viáveis, mas abaixo desse nível a exposição se torna mais difícil de sustentar.

Nesse ponto médio, o Morgan Stanley estima yields (rendimentos) de fluxo de caixa livre em 2026 de cerca de 7% para PRIO, 6% para Petrobras. Ainda assim, a preferência segue sendo o setor de distribuição, por meio da Vibra, considerada mais defensiva e com catalisadores relevantes ao longo de 2026.

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Petróleo acima de US$ 60

Já em um cenário com o Brent acima de US$ 60 por barril, o banco vê múltiplas oportunidades de investimento. Entre US$ 60 e US$ 70, a abordagem permanece equilibrada: a Vibra continua atrativa pelo perfil defensivo e pelos ventos regulatórios favoráveis, enquanto PRIO e Petrobras passam a oferecer retornos mais interessantes. Com o Brent em torno de US$ 65, o Morgan Stanley estima yields de fluxo de caixa livre de aproximadamente 12% para PRIO e Petrobras.

Acima de US$ 70 o barril

Caso o petróleo ultrapasse US$ 70 por barril, na avaliação do Morgan Stanley, o foco se deslocaria de forma mais decisiva para os produtores, já que, nesse cenário, o potencial de valorização do segmento de exploração e produção superaria amplamente os benefícios da exposição à distribuição de combustíveis.