Embraer: acordo para fabricar jatos na Índia pode ser transformacional, diz JPMorgan

Companhia estaria negociando um acordo com grupo Adani para produzir jatos comerciais na Índia

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Um avião adorna o telhado da sede e fábrica de aeronaves da Embraer em São José dos Campos, Brasil, 16 de julho de 2025. REUTERS/Roosevelt Cassio/Foto de arquivo
Um avião adorna o telhado da sede e fábrica de aeronaves da Embraer em São José dos Campos, Brasil, 16 de julho de 2025. REUTERS/Roosevelt Cassio/Foto de arquivo

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O JPMorgan avalia a possível assinatura de um acordo entre a Embraer (EMBJ3) e o grupo indiano Adani para a produção de jatos comerciais na Índia como transformacional para a fabricante brasileira. Embora o acordo ainda não tenha sido confirmado oficialmente pela Embraer, a expectativa é de que o anúncio formal ocorra durante um salão aéreo em Hyderabad, no fim de janeiro, considerado o maior evento de aviação civil da Ásia.

Segundo informações citadas pelo banco, a Índia pode demandar cerca de 500 aeronaves regionais ao longo dos próximos 20 anos, o que representaria um mercado potencial da ordem de US$ 21 bilhões, considerando um preço médio de aproximadamente US$ 42 milhões por aeronave. Para o JPMorgan, esse volume reforça o potencial estratégico da parceria, especialmente por envolver produção local e não apenas encomendas pontuais.

Em um exercício preliminar, o banco estima que o acordo poderia gerar um valor presente líquido (VPL) de cerca de US$ 700 milhões para os acionistas da Embraer, chegando a aproximadamente US$ 1,1 bilhão quando considerada uma perpetuidade. Esse montante equivale a algo entre 5% e 8% do valor de mercado da companhia, com base no fechamento mais recente. As projeções consideram início da produção em 2028, vendas distribuídas ao longo de 20 anos, crescimento gradual de preços e expansão das margens operacionais.

Viva do lucro de grandes empresas

O relatório também destaca que a Embraer já possui presença relevante na Índia, com quase 50 aeronaves em operação nos segmentos de aviação comercial, executiva e de defesa. Além disso, a companhia mantém uma parceria com a Mahindra para o cargueiro militar C-390 Millennium, cujo potencial de encomendas pode alcançar até 70 aeronaves, em um negócio avaliado entre US$ 7,2 bilhões e US$ 8,4 bilhões.

Incentivos fiscais

O JPMorgan também cita a possibilidade de incentivos fiscais por parte do governo indiano para pedidos realizados a partir da nova linha de montagem, com benefícios que tenderiam a diminuir conforme o volume de encomendas aumentasse. Para o banco, esse conjunto de fatores reforça a atratividade estratégica da Índia como um mercado-chave para a Embraer no longo prazo.

Embraer negocia com desconto em relação aos pares

Em termos de valuation, o banco observa que a Embraer negocia a múltiplos inferiores aos de pares globais, o que pode ampliar o impacto positivo de uma eventual confirmação do acordo sobre as ações da companhia. Com isso, o banco reitera recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 108.

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O BTG Pactual também vê a Embraer negociando a 12 vezes EV/EBITDA (Valor da Firma sobre lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização), ainda com um desconto de cerca de 30% em relação aos pares globais.

Mais recentemente, alguns investidores passaram a olhar também para EV/Backlog (Valor da firma sobre carteira de pedidos), que hoje está em 0,4 vez. “Dado o novo patamar de retornos, crescimento e custo de capital, entendemos que há espaço para uma expansão de múltiplos do papel”, aponta o banco.

O que esperar para 2026?

Após um ano de 2025 excepcional, o BTG avalia que principal desafio da Embraer em 2026 é sustentar o forte momentum construído nos anos anteriores. Na aviação comercial, o banco espera continuidade do sucesso em novas campanhas, impulsionada pelas restrições globais de oferta no segmento de narrowbodies. O negócio de Defesa deve permanecer forte em um contexto de aumento dos riscos geopolíticos e dos orçamentos militares. Na aviação executiva, o foco está no aumento da capacidade produtiva, dado o backlog elevado.

O mercado também deve acompanhar de perto o desenvolvimento do novo negócio de eVTOL da Embraer, a EVE, como uma importante opcionalidade de crescimento.

Além disso, a Embraer é a principal escolha do BTG para exposição ao dólar, apoiada por uma dinâmica favorável de oferta e demanda na indústria de aviação, que beneficia os fabricantes de aeronaves. Historicamente, manter a ação antes da divulgação dos resultados do quarto trimestre, período de pico de entregas, tem sido uma estratégia consistente.

Embora os múltiplos estejam acima das médias históricas, o BTG vê fundamentos que justificam esse nível e acredita que existem catalisadores capazes de reduzir o desconto de valuation em relação aos pares globais.

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O que monitorar?

Segundo o JPMorgan, os principais catalisadores a serem monitorados pelos investidores em relação à Embraer passam, em primeiro lugar, pelo desempenho comercial da companhia. A indústria de aviação é fortemente orientada pelo crescimento do backlog, o que torna essencial a manutenção de um ritmo robusto de campanhas e novos pedidos para sustentar o sentimento positivo em relação às ações. Nesse contexto, o banco avalia que as divisões de Aviação Comercial e Defesa despontam como as principais candidatas a registrar novos contratos ao longo de 2026.

Outro ponto de atenção destacado pelo JPMorgan é a evolução das entregas. Após enfrentar restrições relevantes na cadeia de suprimentos nos últimos anos, o mercado busca sinais de uma melhora gradual no volume de aeronaves entregues ao longo de 2026, o que seria fundamental para reforçar a previsibilidade operacional e financeira da empresa.

Por fim, o banco chama atenção para o debate sobre os próximos passos estratégicos da Embraer. Com as principais plataformas de aeronaves já em estágio mais maduro, permanece no radar dos investidores a discussão sobre quando a companhia poderá avançar para um novo programa, apesar de a administração já indicar aumento de capacidade em algumas frentes, especialmente na aviação executiva e no cargueiro militar C-390. Nesse contexto, iniciativas como o desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL) também seguem sendo acompanhadas de perto pelo mercado.

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