Momento turbulento pode ser apropriado para compra da casa própria

Isso porque, apesar da alta na taxa de juros do crédito imobiliário, o preço deve cair por conta da baixa demanda

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SÃO PAULO – Com a crise financeira mundial e a retração da oferta de crédito, o sonho da casa própria parece distante de ser conquistado.

Entretanto, de acordo com o presidente do Sintracon-SP (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo), Antonio de Sousa Ramalho, para o consumidor final, o momento turbulento pode ser apropriado para a compra de um imóvel novo.

“O preço deve cair, já está caindo. Acho que quem está interessado em comprar imóvel deve fazer uma reflexão, dar uma seguradinha, e ver se não tem nenhum ajuste nos financiamentos, principalmente nos juros”, afirma Ramalho.

Por outro lado…

Entretanto, para o presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Paulo Simão, é muito difícil, na atual conjuntura, fazer um prognóstico sobre os preços.

“Seguramente não haverá aumento, porque já vai haver uma queda da produção e é bem provável que haja uma estabilização de preços. Eu não acredito em queda de preços no momento”, pondera.

Já o vice-presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Construção Civil de Grandes Estruturas no Estado de São Paulo), Flávio Prando, discorda que o preço dos imóveis possa diminuir, afirmando que até um acréscimo é esperado.

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“Acho que os preços se mantêm ou, a rigor, podem até subir um pouco mais adiante, porque houve um acréscimo de custos durante este ano, que ainda não tinha sido repassado suficientemente para os preços finais”, explica.

Crédito imobiliário

Ainda segundo Prando, a recessão observada no setor da construção civil foi provocada pelo fato de alguns bancos terem elevado a taxa de juros do crédito imobiliário.

“Isso evidentemente atrapalha. Entendo que pode ser um fator mais pernicioso do que os efeitos da crise em si”, destacou o vice-presidente à Agência Brasil.

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De acordo com o SindusCon-SP, houve um decréscimo de 15% no número de interessados em comprar imóveis novos nos plantões de lançamentos. Para 2009, a estimativa é de pequeno crescimento.

Empregos

Responsável por cerca de 2,2 milhões de empregos no país, o setor da construção civil deve fechar cerca de 100 mil postos de trabalho até o fim do ano, segundo levantamento feito pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

De acordo com o presidente do Sintracon-SP, a quantidade de demissões era de 40 por dia no sindicato e, hoje, está em 150. Ele ainda indica que esse movimento iniciou no fim de outubro.

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“Havia 15 mil vagas abertas em setembro e não havia gente para colocar. Tanto é que em setembro nós empregamos 4.700 pessoas por aqui. Já em outubro e novembro, há apenas 460 pedidos de contratação e para setores muito especializados”, destaca Ramalho.

A expectativa da FGV para 2009 é que, diante do quadro da crise, o setor deixe de contratar cerca de 175 mil empregados.