Mesmo com queda da Selic, fundos DI e de renda fixa seguem como boa alternativa

Elevado patamar dos juros e perspectivas de ganhos reais nos próximos seis meses tornam esses fundos atrativos

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SÃO PAULO – Mesmo com a redução da taxa de juro básica da economia em meio ponto percentual para 26,0% ao ano pelo Copom na reunião do último dia 18 de junho, e a possibilidade de novas quedas durante o resto do ano, os fundos DI e Renda Fixa ainda figuram entre as melhores alternativas de investimento.

Juros altos seguem beneficiando fundos DI e Renda Fixa

Isso porque, apesar da redução da Selic, as taxas de juros ainda permanecem bastante elevadas, beneficiando aqueles que possuem títulos públicos brasileiros que têm seus rendimentos atrelados à taxa Selic. Nesse sentido, esses fundos são favorecidos, visto que são majoritariamente compostos por títulos públicos.

Além disso, com a desaceleração da inflação numa velocidade bastante superior à redução da Selic, a taxa de juro real ainda permanece num patamar bastante elevado, impulsionando os ganhos dos fundos DI e de renda fixa.

Ganhos acima do retorno do CDI

Segundo os dados da Anbid (Associação dos Bancos de Investimento) relativo aos últimos trinta dias encerrados em 16 de junho, os fundos DI registraram ganhos da ordem de 2,08% no período, enquanto os fundos de renda fixa tiveram retorno positivo de 1,97%, bem acima dos ganhos de 1,86% do CDI em igual período. No ano, os fundos DI acumulam alta de 11,54%, por sua vez, os fundos Renda Fixa registram ganhos de 11,10% no acumulado até 16 de junho.

De acordo com a inflação medida pelo IPCA e calculada pelo IBGE, os preços ao consumidor acumulam alta de 6,80% até o mês de maio. Caso as projeções divulgadas pelo relatório Focus do Banco Central, de que o IPCA deve atingir alta de 0,40% em junho, forem confirmadas, a inflação deve encerrar o primeiro semestre em torno de 7,23%.

Por sua vez, as estimativas para 2003 apontam alta de 11,59% do IPCA enquanto a Selic, segundo o consenso do mercado, deve encerrar o ano no patamar de 21,0% . Com base nestas projeções, podemos levar em consideração que a inflação medida pelo IPCA deve atingir 4,07% nos próximos seis meses, desde que a projeção do relatório Focus seja acertada.

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Projeções

Assim para tornar mais fácil a nossa análise, na tabela abaixo foram calculadas os ganhos reais estimados para o segundo semestre desse ano, com base em projeções do relatório Focus para o IPCA e para a Selic em 2003, além das taxas negociadas pelos contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2004 e CDBs de seis meses.

Vale ressaltar que não estão incluídos nesses cálculos a taxa de administração cobrada dos fundos de investimento, assim como os encargos do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Também não foi levada em consideração a alíquota de 20% do Imposto de Renda incidente sobre as cotas dos fundos de investimento.

























Projeções 2003 2º semestre de 2003 Ganhos Reais
IPCA +11,59% +4,07% —
Selic +21,0% ao ano +11,13% +6,78%
CDB 180 dias +24,38%* +11,53% +7,16%
Contrato de DI de jan/04 +23,13%* +10,96% +6,62%

* Taxa negociada atualmente

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Dessa forma, é possível observar que os ganhos reais previstos para essas aplicações, mesmo considerando uma forte queda da Selic, são bastante elevados. No caso dos contratos de DI futuro, usados como uma medida para um retorno de aplicações pré-fixadas, o retorno estimado para os próximos seis meses é de 6,62%, tornando as aplicações em fundos de renda fixa também atrativas, visto que os mesmos aplicam boa parte dos seus recursos em papéis pré-fixados.

Por sua vez, os fundos DI também podem apresentar elevados ganhos reais nos próximos seis meses, de cerca de 6,78%, de acordo com as estimativas para os juros nominais. Mesmo com a expectativa de novas reduções da Selic em 2003, os investimentos em fundos DI ainda se mostram bastante atrativos e com boas perspectivas de ganhos nesse segundo semestre.

Cenário exige postura mais conservadora

Num cenário marcado pela volta do nervosismo ao mercado, diante das recentes tensões no quadro político, principalmente após a instauração da CPI do Banestado no Congresso, investir os recursos na Bovespa pode ser considerado bastante arriscado, e ideal apenas para aqueles que possuem um perfil de investimento mais agressivo.

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Além disso, a Bovespa já acumula ganhos de 15% no ano, reduzindo assim o seu potencial de valorização. Embora as perspectivas para o mercado acionário brasileiro ainda permanecem favoráveis, entretanto, existe a necessidade de uma maior definição do cenário político para que a bolsa paulista consiga voltar a adotar trajetória ascendente.

Desse modo, a recomendação é de que os investidores continuem aplicando uma parcela significativa dos recursos em fundos DI e renda fixa, que são mais adequados para cenários de instabilidade. Além disso, diante dos elevados ganhos reais que esses fundos podem oferecer, parece razoável permanecer com parte da carteira nesse tipo de aplicação.

Vale lembrar que estas estimativas foram realizadas baseadas em dados de mercado e que a rentabilidade no final do ano pode ser diferente das projeções, principalmente se a inflação não cair no ritmo desejado ou se o Banco Central adotar uma postura mais agressiva de corte da Selic do que o mercado acredita.