Mesmo com crise, empresas líderes em inovação gastaram mais com P&D

Embraer, Petrobras e Vale gastaram US$ 2,2 bilhões no aprimoramento de produtos e processos em 2008

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SÃO PAULO – A crise global não inibiu os investimentos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) nas mil empresas de capital aberto com mais tradição neste setor no mundo. Em 2008, elas direcionaram mais dinheiro à inovação. A alta foi de 5,7% em relação a 2007, totalizando US$ 532 milhões. É o que revela um estudo realizado pela consultoria global Booz & Company.

As empresas brasileiras seguiram na mesma direção. Para se ter uma ideia, três companhias brasileiras (Embraer, Petrobras e Vale) gastaram US$ 2,2 bilhões no desenvolvimento e aprimoramento de produtos e processos, cifra é 18,7% superior ao valor registrado no ano retrasado (2007).

A Vale investiu 48,4% mais em P&D no ano passado, o equivalente a US$ 1.129 bilhão, ficando no 101º lugar no ranking mundial. Já a Petrobras manteve seus aportes estáveis em US$ 929 milhões e perdeu três posições, ficando na 120ª posição, ao passo que a Embraer reduziu os aportes em 17,7% para US$ 107 milhões, descendo para a 624ª posição.

Posição do Brasil na pesquisa

As organizações brasileiras que aparecem na lista das que mais investem em P&D responderam por 0,41% de todo o investimento privado mundial. Entre os países dos BRICs, que inclui Rússia, Índia e China, o Brasil só não ficou na frente deste último, cujas empresas direcionaram recursos da ordem de US$ 2.748. Das mil empresas que aparecem no ranking, quatro eram da Índia, 15, da China e duas, da Rússia.

A receita com vendas também se expandiu acima da média. Em 2008, o faturamento das companhias alcançou US$ 161,9 bilhões, 21,2% a mais contra o ano retrasado, quando a alta havia sido de 6,5%.

No resto do mundo

As 20 companhias que mais investem em inovação aumentaram seus orçamentos em 3,2%, por conta de uma queda significativa de 35% no faturamento líquido coletivo desse grupo. O percentual é positivo, embora seja inferior ao registrado em 2007, quando houve crescimento de 7,6% no orçamento. É possível que o indicador seja mais um reflexo da turbulência em âmbito econômico.

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É verdade que as empresas estão gastando mais com P&D, conforme indicou o estudo, mas é fato também que elas estão fazendo isso com mais critério. Por conta da recessão, as empresas foram forçadas a pensar um pouco mais sobre os seus processos de inovação e portfólios – focando tanto em períodos de bonança quanto nos de dificuldade.

Verificou-se ainda que, de cada vez empresas, sete estão agora ajustando suas estratégias, para captar melhor as exigências do consumidor, e metade dos entrevistados está cada vez mais conservadora com relação aos filtros que aplicam, ao optar por novos projetos de P&D. Além disso, quatro em cada dez estão se tornando mais avessas ao risco. Essa mesma proporção foi obtida quando a pesquisa abordou a disposição a abortar projetos ruins.

Inovação é vital para o negócio

A pesquisa mostrou que, para mais de 90% dos entrevistados, a inovação é um fator crítico para que suas empresas estejam preparadas para quando a economia retomar seu curso de crescimento. Outros 70% deles afirmam que suas empresas estão mantendo ou aumentando seus gastos com P&D em 2009.

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Além disso, as cem maiores empresas que participaram do estudo sinalizaram claramente as prioridades nos seus investimentos ao aumentar os gastos com P&D em 3,2%, ao mesmo tempo em que reduziram as despesas gerais em mais de 1%.

“Reduzir os esforços de inovação seria o equivalente a um desarmamento unilateral em tempos de guerra”, disse o sócio da Booz & Company, Waldir Vieira. “Este é um momento oportuno para estabelecer uma vantagem em relação aos concorrentes, especialmente os mais fracos, que poderão ter de economizar em P&D por questões financeiras. De modo geral, o estudo demonstra uma perspectiva otimista por parte das empresas”, acrescenta.

Não por acaso, organizações de todas as regiões do globo aumentaram seus gastos. As empresas norte-americanas, européias e japonesas mantiveram sua participação nos gastos das mil empresas do ranking em 94%. Todas as regiões, incluindo a China e a Índia, aumentaram sua alocação em recursos em apenas 0,5%, a Europa, em 6,3%, e a América do Norte, em 6,5%.