Mesmo com cortes da Selic, quem investiu em renda fixa teve um ótimo 2003

Grande maioria dos fundos DI e de renda fixa superou CDI, que fechou 2003 com o maior ganho real desde 1998

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SÃO PAULO – Se a economia brasileira acabou sofrendo com a manutenção de uma política de juros elevados durante a primeira metade do ano, quem investiu em renda fixa não teve o que reclamar, mesmo após a seqüência de cortes da Selic, a taxa básica de juro, na segunda metade do ano.

Com as perspectivas de menor inflação, os mercados de renda fixa tiveram forte desempenho, garantindo que a maioria dos fundos DI e de renda fixa superasse a rentabilidade do CDI, principal referência para as aplicações de renda fixa. Além disso, outra boa notícia foi que o CDI teve o maior retorno real desde 1998, o que certamente garantiu um excelente 2003 para quem investiu em renda fixa.

Juros reais elevados

A manutenção de taxas de juros elevadas durante boa parte do ano, com o governo visando conter a inflação e recuperar a confiança dos investidores, permitiu que o CDI mostrasse seu maior ganho real desde 1998. Após uma variação nominal de 21,99%, o ganho real estimado atingiu 12,36%, mais do que recuperando a perda de 5,44% em termos reais registrada em 2002.

Este desempenho foi o melhor desde 1998, quando o governo do então presidente FHC adotava uma política juros reais bastante elevados, visando atrair capitais externos para evitar uma desvalorização do real, o que acabou ocorrendo no início de 1999 e levando o governo a mudar os rumos da política econômica.

Fundos batem CDI

Além da elevada rentabilidade do CDI, os investidores em renda fixa foram também favorecidos pelo fato de a maioria dos fundos ter batido o desempenho do principal índice de referência para as aplicações de renda fixa. Isso valeu tanto para os fundos DI, que investem títulos pós-fixados, quanto para os fundos de renda fixa.

Segundo dados da Anbid (Associação Nacional de Bancos de Investimento), os fundos DI mostraram uma rentabilidade média acumulada em 2003 de 24,14% até 23 de dezembro, enquanto os fundos renda fixa tradicionais, os mais populares no mercado brasileiro, com cerca de 22,5% do patrimônio da indústria de fundos, renderam, em média, 23,40% no mesmo período.

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Este bom desempenho se deveu ao ambiente de juros elevados na primeira metade do ano, que garantiu elevados pagamentos de juros, e à rápida queda da Selic na segunda metade do ano, que permitiu a forte valorização dos títulos públicos que compõem a maioria das carteiras de investimento dos fundos.

CDB e poupança registram ganhos reais

Mesmo o “patinho feio” dos investimentos de renda fixa, a caderneta de poupança, mostrou rentabilidade real positiva em 2003. Com um retorno nominal de 12,09%, os ganhos reais ficaram em 3,24%, evidenciando que realmente 2003 foi um bom ano para os investidores de renda fixa.

Já para quem optou pelo investimento em CDBs prefixados de trinta dias, o retorno bruto no ano atingiu 23,39%, não muito distante da rentabilidade apresentada pelos fundos de investimento. Já em termos reais, o retorno foi de 13,65%

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Cenário deve ser diferente em 2004

Se o desempenho da renda em 2003 foi excelente, a má notícia é que dificilmente esta performance será repetida em 2004. Mesmo com o controle da inflação, a queda nas taxas de juros deve continuar pressionando a rentabilidade real dos investimentos em renda fixa.

Neste sentido, é provável que o retorno real, dependendo da velocidade de queda da inflação e do comportamento da inflação caia para uma faixa entre 6% e 9% ao ano, que, embora menor, ainda garante uma boa rentabilidade para quem investe nestas aplicações.