Mercado já precifica o pós-conflito no Irã e Petrobras aparece com “maior assimetria”

Para o Itaú BBA, a Petrobras ainda embute um cenário de petróleo nos pós-conflito significativamente conservador

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

Navio-sonda a serviço da Petrobras usado na perfuração na Bacia da Foz do Rio Amazonas é visto na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, Brasil
20/05/2025
REUTERS/Pilar Olivares
Navio-sonda a serviço da Petrobras usado na perfuração na Bacia da Foz do Rio Amazonas é visto na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, Brasil 20/05/2025 REUTERS/Pilar Olivares

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A guerra no Oriente Médio ainda parece longe de um desfecho. Contudo, mesmo em um ambiente marcado pela elevada incerteza que impacta o comportamento do preço do petróleo no curto prazo, o mercado já busca precificar cenários de um ambiente após conflito, conforme destaca o Itaú BBA.

O banco pondera que não busca antecipar como esse conflito vai terminar, mas sim trazer as premissas que parecem estar embutidas nos preços atualmente.

Para a equipe de análise do Itaú BBA, a Petrobras (PETR3;PETR4) incorpora uma das premissas mais conservadoras para o petróleo no pós-conflito, mesmo após a recente valorização dos papéis.

Já entre as distribuidoras de combustíveis, o preço atual da Ultrapar (UGPA3) parece refletir um nível conservador de margens para a Ipiranga, enquanto o preço da Vibra (VBBR3) embute um nível de margens normalizadas mais próximo do fim de 2025.

Petroleiras

Com base no modelo implícito de cenário pós-conflito, a Petrobras está precificada com um Brent de US$ 62 por barril, frente a US$ 66 por barril para PRIO (PRIO3), PetroReconcavo (RECV3) e a argentina Vista, e US$ 69 por barril para a também argentina YPF.

Para os analistas do BBA, apesar de uma valorização de 16% desde o fim de fevereiro, as ações da Petrobras ainda embutem um cenário de petróleo nos pós-conflito significativamente mais conservador.

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“Assim, a Petrobras oferece na nossa visão a melhor assimetria do setor em um cenário pós-conflito, enquanto a PRIO segue como o papel com maior exposição direta ao preço do petróleo no curto prazo em 2026”, aponta o banco.

Para o BBA, o cenário-base considera que a Petrobras acompanhará os preços internacionais nos combustíveis, mas sem passar a volatilidade destes preços para os preços domésticos;

Distribuidoras de combustíveis

Para o BBA, a Vibra parece precificar uma margem pós-conflito próxima de R$ 175 por metro cúbico (m³), consistente com os níveis do quarto trimestre de 2025.

A Ultrapar, por sua vez, parece embutir margens para a Ipiranga em torno de R$ 130 a R$ 135/m³, bem abaixo do nível de R$ 165/m³ observado no quarto trimestre de 2025.

Ao analisar os múltiplos de lucro e assumindo que as margens pós-conflito convirjam novamente para os níveis do fim de 2025, o BBA estima que a Vibra negocie a 8 vezes o preço em relação ao lucro (P/L) em 2026 e 11,5 vezes em 2027, enquanto a Ultrapar negocia a 9,3 vezes o P/L em 2026 e 11,7 vezes em 2027.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.