Bom para Petrobras, neutro para distribuidoras: como mercado viu subsídio à gasolina

Avaliação é de que a medida reduz a urgência de um eventual aumento de preços e, ao mesmo tempo, pode melhorar as margens de refino de gasolina da Petrobras

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

Bomba de abastecimento de gasolina em posto de combustíveis REUTERS/Adriano Machado
Bomba de abastecimento de gasolina em posto de combustíveis REUTERS/Adriano Machado

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Na última quarta-feira (13), o governo Federal brasileiro anunciou a criação de um novo subsídio para os preços da gasolina. As medidas governamentais anunciadas até então foram direcionadas principalmente aos preços do diesel.

Já a medida provisória anunciada na quarta estabelecerá limite de até R$ 0,89 em subvenção por litro de gasolina, valor equivalente à média de tributos federais incidentes sobre o combustível, conforme informou o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

Ele enfatizou que a subvenção efetiva será definida em um ato infralegal do governo, que deve prever inicialmente uma subvenção parcial à gasolina, de R$0,40 a R$0,45 por litro. O patamar ainda será definido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o benefício terá validade de dois meses, podendo ser reavaliado. Em outra frente, quando a subvenção de R$ 0,35 por litro já em vigor para o diesel perder a validade, no fim de maio, a MP vai prever que o benefício poderá ser estendido, disse o ministro em entrevista coletiva.

Considerando a mistura obrigatória de etanol, o desconto efetivo percebido pelos consumidores finais é estimado em R$ 0,62/litro, avalia o Goldman Sachs. Cabe destacar que o anúncio ocorreu um dia após a administração da Petrobras (PETR3;PETR4) afirmar que um ajuste nos preços da gasolina poderia ocorrer a qualquer momento.

Para o Goldman Sachs, a medida é positiva para a Petrobras e neutra para as distribuidoras de combustíveis.

“Atualmente, vemos os preços da gasolina da PBR cerca de 40% abaixo da paridade de importação (sem considerar qualquer subsídio). Se incluirmos o incentivo de R$ 0,89/litro anunciado hoje, além dos preços locais da gasolina da estatal, e deduzirmos o mesmo valor referente às importações de gasolina, os preços locais da gasolina da companhia ficariam em linha com os preços da alternativa de importação (sem que a Petrobras necessariamente aumentasse os preços da gasolina para distribuidores/consumidores)”, avalia o Goldman.

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O banco acredita que a medida reduz a urgência de um eventual aumento de preços e, ao mesmo tempo, pode melhorar as margens de refino de gasolina da Petrobras.

O Bradesco BBI destaca que a Petrobras poderia ter um aumento anualizado de aproximadamente US$ 4 bilhões no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) se receber o subsídio integral de R$ 0,89 por litro.

Para as distribuidoras de combustíveis, o Goldman Sachs observa que apenas cerca de 10% da demanda por gasolina no Brasil é proveniente de importações (contra cerca de 25% para o diesel).

“Assim, acreditamos que o anúncio não deve reduzir significativamente a competitividade das maiores distribuidoras de combustíveis. As maiores distribuidoras têm uma parcela maior do fornecimento de diesel/gasolina proveniente da Petrobras (uma alternativa mais barata do que a importação)”, avalia o Goldman, que mantém uma perspectiva otimista para o setor antes da divulgação dos resultados do segundo trimestre.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.