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Ibovespa cai 1,01%, com corte dos juros nos EUA mais distante, e fecha semana em baixa

Benchmark da Bolsa brasileira passou a ter queda após dados de emprego muito fortes nos EUA

Equipe InfoMoney

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O Ibovespa caiu nesta sexta-feira (2), após dados fortes do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que enfraqueceram ainda mais apostas de um corte nos juros norte-americanos ainda no primeiro trimestre e ainda colocou dúvidas de que a redução das taxas possa ser postergada de maio para junho, o que levou a uma pressão adicional para o mercado.

O principal índice brasileiro recuou 1,01%, acumulando queda de 1,38% na semana.

De acordo com os dados do Departamento do Trabalho dos EUA, foram criadas 353 mil vagas de emprego no país em janeiro, bem acima das expectativas que apontavam 180 mil. A taxa de desemprego ficou em 3,7% ante previsão de 3,8%.

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Além disso, as revisões dos dois meses anteriores adicionaram liquidamente 126 mil empregos, sendo que a maior revisão aconteceu em dezembro, onde o número de empregos criados passou de 164 mil para 333 mil. Houve uma revisão anual das estatísticas de emprego, que também contribuiu para as revisões dos dados de novembro e dezembro; mas que não é a principal explicação para os resultados dos últimos meses. “Esses resultados são explicados, inequivocamente, por uma economia americana mais forte”, avalia Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management.

Uma outra surpresa relevante, aponta o economista, aconteceu nos salários (Average Hourly Earnings). Esperava-se (mediana Bloomberg) uma taxa de crescimento de 0,3% no mês, mas a taxa efetivamente observada foi o dobro da expectativa (0,6%), acelerando em relação à taxa de 0,4% registrada em dezembro. Com esse resultado, o crescimento acumulado dos salários nos últimos doze meses subiu de 4,3% em novembro (divulgação anterior: 4,1%) para 4,5%. E o número de horas trabalhadas se reduziu de 34,3 em dezembro para 34,1 em janeiro, contrariando as expectativas (Mediana Bloomberg) de manutenção.

O rendimento do título de 10 anos do Tesouro norte-americano renovou máximas após a divulgação dos números, marcando 4,24, de 3,863% na véspera. Os índices de Wall Street, no entanto, fecharam no verde, impulsionados pelos resultados das empresas de tecnologia, principalmente da Meta. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram, respectivamente, 0,35%, 1,07% e 1,74%.

A diretora de pesquisa da Global X ETFs, Morgane Delledonne, disse que os dados macroeconômicos de hoje reforçam a visão do Federal Reserve de adiar as discussões para os primeiros cortes nas taxas.

Na última quarta-feira, o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, já havia esfriado as apostas para um corte mais cedo, afirmando que não achava provável uma redução em março, mesmo observando uma melhora na inflação.

Para Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, o relatório de emprego tira totalmente da frente as chances de juros em março e ainda coloca uma “pulga atrás da orelha” se o começo dos cortes não pode se dar apenas em junho. Um corte de juros nos EUA sendo postergado pode diminuir a atratividade dos emergentes, o que inclui o Brasil, fazendo com que o mercado por aqui sofra.

O Morgan Stanley também vê o Fed segurando as taxas de juros até junho. “O relatório de emprego é mais uma prova de que o mercado de trabalho continua apertado e, por isso, o foco continua na inflação. A nossa previsão para a inflação mostra um ritmo de inflação que continua a diminuir gradualmente em 12 meses, mas será acompanhado por uma pressão ascendente nas taxas de crescimento anualizadas de 3 e 6 meses devido aos preços básicos dos serviços. Todas as três medidas mostrarão o núcleo da inflação bem acima de 2% no primeiro trimestre”.

Olivares ressalta que o mercado de trabalho americano ainda muito aquecido tem implicações para a política monetária do Federal Reserve que são óbvias. A desinflação recente é explicada basicamente pela deflação global nos setores produtores de bens. Já o setor de serviços continua forte, como explicitado pelo fato de ser esse setor o principal criador de empregos na economia americana. “Assim, poderíamos descrever a situação atual da economia americana como sendo uma de desinflação com riscos. E esses riscos vem do comportamento do setor de serviços, que deverá ser o foco das atenções do Federal Reserve, requerendo dose adicional de cautela”, avalia.

Juros mais altos nos Estados Unidos tendem a minguar o fluxo de capital para emergentes, com investidores preferindo a segurança – o que explica a queda do Ibovespa, a despeito da alta dos índices acionários norte-americanos. Fora isso, a curva de juros brasileira acompanhou a americana, pressionando as ações ligadas ao mercado interno.

O dólar, com a alta dos treasuries, ganhou força frente ao real, com alta de 1,08% hoje, a R$ 4,968 na compra e na venda, e ganhos de 1,18% na semana.