Méliuz (CASH3) quer reduzir custos para atingir ponto de equilíbrio operacional este ano; ações recuam 2,5% após balanço

A empresa quer entregar ao final do ano uma estrutura de custos mais enxuta

Felipe Alves

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Após 12 anos de operação, a Méliuz (CASH3) pretende chegar ao breakeven (ponto de equilíbrio operacional) neste ano, apesar do prejuízo divulgado no segundo trimestre. Em teleconferência para comentar os resultados, nesta quarta-feira (9), o CEO Israel Fernandes Salmen destacou que o foco este ano é em manter uma estrutura de custos menor, permitindo à empresa investir e “terminar o ano no breakeven“.

“Estamos focados em ser mais eficientes, reduzir custos e despesas, negociar com fornecedores, melhorar produtos para fazer muito mais com menos recursos. Estamos no caminho certo”, destacou o CEO, que aposta em um modelo asset light para manter a companhia nos trilhos.

O diretor de Growth da empresa, Gabriel Loures, destaca que o esforço de eficiência permitiu crescimento de 53% da margem do Shopping Brasil na comparação anual, apesar da queda de 5% na receita.

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“Usuários continuam com uma experiência ótima pra comprar e gerar valor com cashback. A retenção dos usuários é o que permite que façamos um trabalho de otimização de imagem, ao tempo que a receita cai só 5%”, avalia ele.

A Méliuz (CASH3) registrou prejuízo de R$ 6,3 milhões no 2T23, perda 73% menor na base anual.

Ao final da sessão, as ações da empresa recuaram 2,57%, cotadas a R$ 8,32, próximas da mínima (R$ 8,31), após terem subido até R$ 8,72.

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Méliuz (CASH3): Parceria com banco BV

O acordo comercial com o banco BV tem permitido à empresa navegar em novas oportunidades. No 2T23, a Méliuz concluiu marcos importantes na agenda regulatória com o BV, com a integração dos times e sistemas.

Desde 4 de julho, 100% das aberturas de contas e emissões de cartões são frutos da parceria com o banco BV. Hoje, segundo André Amaral Ribeiro, diretor de estratégia, shopping e dados, a Méliuz está abrindo 60 mil contas digitais mensalmente, feitas de forma 100% orgânica, junto com BV.

De acordo com André Ribeiro, o carro-chefe em serviços financeiro são as contas e os cartões. A empresa já começou o desenvolvimento de novos produtos, que terão resultados visíveis a partir do 4T23 mas, sobretudo, ao longo de 2024.

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A companhia tem investido muito pouco em marketing e provado eficiência dos canais internos de comunicação, segundo a diretoria. “Houve redução de quase 40% com gastos em marketing, menos R$ 2,5 milhões no segundo semestre”, destaca André Amaral Ribeiro.

Em busca de resultados sustentáveis

Até o fim do ano, a Méliuz pretende entregar uma estrutura de custos muito mais enxuta do que começou 2023. O diretor Márcio Penna destacou a estrutura de custos menor no 2T23, com despesas operacionais de 86 milhões ao fim do trimestre.

“Reduzimos todas as linhas de despesas da companhia, apresentando resultados que serão sustentáveis no próximo trimestre. O custo fixo da companhia é deste patamar para baixo”, afirma ele, ao ressaltar ainda a expectativa de melhora do segmento de ecommerce no segundo semestre para impulsionar a companhia.

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A posição atual de caixa da companhia, de acordo com o CEO, é bastante confortável. Israel Fernandes Salmen destacou que o IPO e o follow-on foram muito importantes para a empresa ter essa posição.

“Não diminuímos a importância de ter caixa robusto, no entanto, existem conversas externas sobre o uso desses recursos e uma eventual redução de capital. As conversas evoluem mensalmente. A expectativa é no Méliuz Day (em setembro) trazermos praticamente o martelo batido sobre isso”, afirma ele.

Mas Israel ressalta que ainda existem outras opções que são analisadas, seja de M&A ou crescimento de P&D em linha de negócio da empresa, gerando caixa.

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Após aprovação do Cade ontem, a companhia agora aguarda a aprovação do Bacen para completar a venda da Bankly por R$ 210 milhões, o que deve ocorrer entre 6 e 12 meses.